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Bloco de Esquerda

BE propõe travessia do Tejo só de comboio e quadruplicação de toda a Linha do Norte

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As propostas do BE para um Plano Ferroviário Nacional incluem uma terceira travessia do Tejo, só para comboios, e a quadruplicação total da Linha do Norte. Partido quer reabilitar linhas desativadas.

O deputado do BE Heitor de Sousa antecipou à Agência Lusa as linhas principais do Plano Ferroviário Nacional

JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Uma terceira travessia do Tejo, exclusivamente ferroviária, para transporte de passageiros e mercadorias, a quadruplicação total da Linha do Norte e um novo eixo do interior são algumas das propostas do anteprojeto do Bloco de Esquerda (BE) para um Plano Ferroviário Nacional.

Em declarações à Agência Lusa, o deputado do BE Heitor de Sousa antecipou as linhas principais do Plano Ferroviário Nacional e do programa de investimentos para a sua execução — que será agora alvo de uma audição público e depois transformado em projeto de lei –, um anteprojeto que será apresentado, hoje à tarde, pela coordenadora bloquista, Catarina Martins, na estação de comboios do Peso da Régua, em Vila Real.

“Queremos, de forma supletiva, completar aquilo que o Governo não tem coragem de fazer porque o registo do investimento público que o Governo tem sobre a ferrovia continua a ser um registo mínimo, continua a haver coisas incompreensíveis”, justificou. Assim, o objetivo do BE “é desenvolver um plano sistemático de investimento público, que transforme o panorama da rede ferroviária nacional que existe atualmente”, lembrando que o perfil de transporte de mercadorias e de passageiros ferroviário em Portugal “é o terceiro pior que existe na União Europeia” devido ao abandono a que tem sido condenado este meio de transporte.

“Defendemos a ideia de uma terceira travessia do Tejo, apenas ferroviária, porque, infelizmente, o anterior Governo de Cavaco Silva fez um project finance com a Lusoponte em que atribuía a exclusividade de todas as travessias rodoviárias por um período até o final da concessão”, revelou.

Uma travessia entre Chelas e o Barreiro, exclusivamente ferroviária, que deverá servir para o transporte de passageiros e de mercadorias é a proposta do BE, explicando Heitor de Sousa que esta “tem de ser feita em bitola internacional e também em bitola ibérica porque a Rede Ferroviária Nacional deve continuar a circular no país”.

“Ainda neste registo mínimo, o Governo defende a quadruplicação da linha do Norte, mas apenas é 163 quilómetros, portanto, só em alguns troços. Nós achamos que isto é um absurdo até porque a Linha de Norte já está completamente saturada em termos de canais horários e por isso nós queremos transformar aquilo que é uma proposta parcial de quadruplicação do Governo numa quadruplicação completa”, revelou.

O objetivo deste plano é ainda, detalhou ainda o deputado do BE, “reabilitar linhas que, entretanto, foram desativadas”, como por exemplo a do Douro, recuperando outras nas quais “o serviço tem vindo a degradar-se” com é o caso da linha do Oeste ou das linhas do interior. “Nós queremos criar um novo eixo ferroviário do interior, norte/sul, que permita ligar pelo interior, da Guarda até Beja e até à Funcheira”, acrescentou ainda, sendo também o objetivo “reabilitar linhas de transporte de mercadorias que havia no Alentejo, que é a linha de Évora e o ramal de Vila Viçosa.

Recuperar para o serviço de transporte ferroviário de mercadorias e de passageiros o troço entre Beja e a Funcheira, que foi interrompido, é outra das apostas do BE. “Uma linha internacional integrada numa rede transeuropeia de transportes em via única é uma coisa que não existe na Europa, só existe na cabeça do anterior ministro do Planeamento e deste Governo, pelos vistos não está disponível para rever este perfil de linha”, criticou.

Em termos de investimento, como não se trata de projetos concretos, mas sim “apenas ideias”, as contas do BE são ainda “estimativas de custos”. “Aquilo que nós pensamos é que o plano de desenvolvimento do plano ferroviário 2040, portanto, um plano ferroviário para ser desenvolvido em 20 anos, tem um custo que é sensivelmente o dobro do que o Governo pretende gastar no Ferrovia 2020 mais no PNI 2030 [Programa Nacional de Investimentos 2030] no transporte ferroviário”, respondeu.

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