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Sudão

Sudão: Demissão do chefe dos serviços de informações, ativo na repressão de protestos

O Conselho Militar que dirige o Sudão anunciou este sábado a demissão do chefe dos serviços de informações sudaneses, NISS, principal agente de repressão da contestação no país.

Salah Gosh liderava até agora os serviços de informações sudaneses, NISS, principal agente de repressão da contestação no país

PHILIP DHIL/EPA

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  • Agência Lusa
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O Conselho Militar que dirige o Sudão anunciou este sábado a demissão do chefe dos serviços de informações sudaneses, NISS, principal agente de repressão da contestação no país.

Dois dias após a destituição pelos militares do presidente Omar al-Bashir, que esteve três décadas no poder, a situação continua a evoluir continuamente no Sudão.

Na sexta-feira, o Conselho Militar, responsável pela transição, substituiu o seu próprio chefe, uma decisão recebida com satisfação pelos milhares de manifestantes que continuam mobilizados em frente ao quartel-general do exército de Cartum.

Este sábado, foi anunciada uma substituição nos serviços de informações. “O chefe do Conselho Militar de transição, Abdel Fattah al-Burhane, aceitou a demissão” de Salah Gosh, chefe do NISS, segundo um comunicado.

Gosh, que ocupou o cargo durante dez anos até 2009 e voltou a chefiar os serviços secretos em 2018, supervisionou nos últimos quatro meses a repressão do movimento de contestação.

A repressão levou à detenção de milhares de manifestantes, dirigentes da oposição e jornalistas.

Na quinta-feira, pouco após ter sido anunciada a destituição de Omar al-Bashir, o NISS anunciou a libertação “de todos os presos políticos no país”.

Os milhares de sudaneses que continuam concentrados em frente ao quartel-general do exército manifestaram na sexta-feira satisfação com o afastamento de Awad Ibn Ouf, próximo de al-Bashir, da chefia do Conselho Militar.

Ibn Ouf foi substituído por Abdel Fattah al-Burhane, inspetor-geral das forças armadas e figura respeitada no seio da instituição militar, mas desconhecido do público.

Nasceu em 1960 em Gandatu, uma aldeia a norte de Cartum, estudou numa escola militar sudanesa e depois no Egito e na Jordânia. O Presidente destituído escolheu-o para o cargo que ocupou até agora em fevereiro.

Apesar destes desenvolvimentos, a multidão continua mobilizada na manhã deste sábado.

Esperamos novas indicações da Associação de Profissionais Sudaneses (SPA) para saber se mantemos a concentração tendo em vista conseguir uma resposta para as nossas reivindicações ou se deixamos o local”, explicou um manifestante que passou a noite em frente às instalações militares.

A SPA tem estado na linha da frente da contestação contra o Governo sudanês, que se tem prolongado desde 19 de dezembro.

Na sexta-feira, os generais que ocupam o poder garantiram à comunidade internacional e aos manifestantes que tencionam entregar o poder a um governo civil.

“O papel do Conselho Militar é proteger a segurança e a estabilidade do país”, afirmou Omar Zinelabidine, membro do Conselho Militar, perante diplomatas árabes e africanos.

Isto não é um golpe militar, mas uma decisão a favor do povo”, acrescentou.

O Conselho Militar disse que Omar al-Bashir, afastado do poder pelos militares na quinta-feira, se encontra detido, mas que não será entregue ao “estrangeiro”, sendo alvo de mandados de detenção do Tribunal Penal Internacional (TPI).

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