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Primeira Liga NOS

Andam à guerra pelo lugar, mas o trono já tem dono (a crónica do Benfica-V. Setúbal)

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Benfica e FC Porto continuam a lutar pelo primeiro lugar da Liga mas João Félix já é o campeão. O avançado marcou um golo e ofereceu outros dois na vitória dos encarnados frente ao V. Setúbal (4-2).

Depois do hat-trick frente ao Eintracht, João Félix voltou a marcar

EPA

O mundo aguarda com expectativa a chegada da oitava e última temporada da série “Guerra dos Tronos”, que esta segunda-feira inicia o derradeiro conjunto de capítulos que encerra a história que ao longo de vários anos apaixonou milhões de espectadores em centenas de países. Em Portugal, um dia antes de o resto do mundo começar a conhecer o desfecho de uma das séries mais mediáticas dos últimos anos, a Primeira Liga conhecia mais um capítulo de uma autêntica guerra pelo trono que se arrasta já há várias jornadas e que cada vez mais aparenta ir disputar-se até ao último fim de semana do Campeonato.

Como já vem sendo habitual, o Benfica entrava em campo naturalmente pressionado pela vitória do FC Porto, este sábado em Portimão, e estava obrigado a ganhar para regressar à liderança da tabela. Depois de uma grande noite europeia que terminou com um hat-trick de João Félix e um resultado positivo perante o Eintracht Frankfurt, os encarnados recebiam agora o V. Setúbal na antecâmara do jogo decisivo na Alemanha.

Ficha de jogo

Benfica-V. Setúbal, 4-2

29.ª jornada da Primeira Liga

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Rui Costa (AF Porto)

Benfica: Vlachodimos, André Almeida, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Florentino, Samaris, Pizzi, Rafa (Jota, 90+5′), João Félix (Taarabt, 80′), Seferovic (Jonas, 89′)

Suplentes não utilizados: Svilar, Yuri Ribeiro, Zivkovic, Gedson

Treinador: Bruno Lage

V. Setúbal: Makaridze, Mano, Artur Jorge, Vasco Fernandes, André Sousa, Sávio, Rúben Micael, Éber Bessa, Nuno Valente (Sekgota, 64′), Jhonder Cádiz, Berto (Zequinha, 64′)

Suplentes não utilizados: Cristiano, Pirri, Allef, Cortez, Castro

Treinador: Sandro Mendes

Golos: Rafa (2′ e 36′), Nuno Valente (39′), João Félix (56′), Cádiz (gp, 88′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Rúben Micael (28′), André Sousa (54′), Rafa (59′), André Almeida (67′), Vasco Fernandes (81′), Rúben Dias (86′), Sávio (90+1′)

Depois de poupar André Almeida, Ferro, Pizzi e Seferovic no encontro de quinta-feira com o Eintracht, Bruno Lage voltava a apostar na titularidade do lateral direito, do central, do médio e do avançado. Jardel, Fejsa e Cervi, titulares contra os alemães, saíam da convocatória e Florentino recuperava o lugar no meio-campo. Do outro lado, aparecia um V. Setúbal que esteve quatro meses sem vencer e conseguiu ganhar nas últimas duas jornadas da Primeira Liga: compreensivelmente motivados, os sadinos apostavam na dupla de ataque formada por Cádiz, venezuelano em evidência no Bonfim, e Heriberto, avançado formado no Seixal, para causar problemas à defesa encarnada.

O Benfica entrou no jogo de forma absolutamente implacável. Até ao primeiro golo, logo ao segundo minuto, o V. Setúbal não tocou na bola e os jogadores encarnados completaram 26 passes. O inaugurar do marcador surgiu com um cruzamento de João Félix a partir da direita e um toque de classe de Rafa, que colocou a bola no poste mais distante e completamente fora do alcance de Makaridze. Aos dois minutos, o V. Setúbal já perdia na Luz e a situação não melhorou nos instantes seguintes. O Benfica continuou a pressionar muito alto, a encostar os sadinos ao último terço do próprio meio-campo e poderia ter aumentado a vantagem através de João Félix, que tirou vários adversários da frente para depois rematar ao lado (12′).

O V. Setúbal só conseguiu reagir após o primeiro quarto de hora, sempre através de bolas longas colocadas à procura da profundidade de Cádiz e Berto. O futebol direto dos sadinos surpreendia o Benfica, que estava a jogar com as linhas muito subidas e permanentemente tombado para a frente e por vezes era obrigado a recuar de forma rápida para parar os dois homens da frente da equipa orientada por Sandro. Ao minuto 29, o Benfica teve a melhor oportunidade até aí para fazer o segundo golo: João Félix rematou já dentro de área, a bola desviou em Rúben Micael e os jogadores encarnados pediram mão na bola do médio sadino. Depois de assinalar pontapé de canto numa primeira fase, Rui Costa analisou as imagens do VAR e acabou por assinalar grande penalidade. Na conversão, Makaridze adivinhou as intenções de Pizzi e defendeu o remate do internacional português. O guarda-redes evitou novamente o segundo golo do Benfica logo a seguir, com uma defesa com o pé a um remate de Rafa (31′), ainda viu João Félix cabecear por cima depois de um cruzamento de Pizzi (34′) mas não conseguiu remediar um erro enorme da defesa sadina.

Vasco Fernandes parecia ter um lance de contra-ataque do Benfica totalmente controlado mas acabou por se desentender com a defesa do V. Setúbal e perdeu para João Félix à entrada da própria grande área. O jovem encarnado, que já tinha oferecido o primeiro golo a Rafa, voltou a assistir o internacional português, que rematou de primeira descaído na esquerda e não deu hipótese a Makaridze (36′). Bis de Rafa, 2-0 para o Benfica mas o V. Setúbal conseguiria reduzir a desvantagem logo três minutos depois, através de uma bonita jogada rendilhada por Berto e Rúben Micael que culminou com um remate de Nuno Valente à entrada da área. Os sadinos acabaram por passar os instantes finais da primeira parte a jogar totalmente dentro do meio-campo encarnado e deixavam antecipar uma segunda parte difícil para o Benfica.

O Benfica regressou para a segunda parte um pouco mais mortiço, claramente à espera de ver de que forma é que o V. Setúbal se iria apresentar no segundo tempo. Os sadinos tentaram aproveitar uma maior passividade dos encarnados mas sempre muito colados às alas, sem espaço na faixa central, onde Florentino e Samaris estavam absolutamente imperiais. A equipa de Bruno Lage mostrava algumas dificuldades em recuperar o ímpeto ofensivo que tinha controlado o V. Setúbal por completo durante os primeiros instantes do jogo mas não permitia espaço aos jogadores adversários — graças a exibições sólidas dos jogadores do setor intermédio.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Benfica-V. Setúbal:]

Os encarnados acabaram por conseguir chegar ao tranquilizante terceiro golo através da conjugação de tudo aquilo que de melhor estavam a fazer: Florentino recuperou uma bola no meio-campo, Pizzi surgiu em velocidade no corredor e cruzou tenso para a grande área e João Félix surgiu em antecipação aos centrais sadinos a rematar de primeira para o terceiro golo do Benfica. Na celebração, Félix correu em direção a um apanha bolas especial, o irmão (que joga nas camadas jovens do clube da Luz), e comemorou não só o golo da noite deste domingo, não só as duas assistências da noite deste domingo como também a participação nos últimos sete golos dos encarnados para todas as competições.

Até ao final, o Benfica aproveitou o desgaste físico do V. Setúbal e descansou com bola, tendo conseguido ainda criar o lance do quarto golo, por intermédio de Seferovic, que até estava a passar algo ao lado do jogo mas acabou por salvar a exibição com um bom remate de pé esquerdo (77′). Os sadinos voltaram a conseguir reduzir a desvantagem, com Cádiz a converter uma grande penalidade cometida por Rúben Dias sobre Vasco Fernandes e que Rui Costa só assinalou depois de recorrer ao VAR (88′).

FC Porto e Benfica continuam a lutar pelo lugar no trono de campeão nacional. Mas a verdade é que, aconteça o que acontecer no final da Primeira Liga, já existe um dono para o lugar de vencedor da presente edição do Campeonato. João Félix, que marcou um golo, fez duas assistências e está nos golos do Benfica há sete consecutivos, será o grande destaque da Liga portuguesa quando maio chegar ao fim. Quer fique no primeiro ou no segundo lugar, João Félix já é campeão.

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