A 15 de abril de 1989, 96 pessoas morreram no Hillsborough Stadium, o estádio do Sheffield Wednesday, durante um jogo entre o Liverpool e o Nottingham Forest a contar para as meias-finais da Taça de Inglaterra. A tragédia, normalmente rotulada como o pior desastre de sempre associado do futebol na Europa, aconteceu devido à sobrelotação do estádio e à negligência das autoridades responsáveis pela segurança, que abriram uma porta do recinto e originaram a morte de dezenas de pessoas por esmagamento e asfixia.

Hillsborough voltou a ser notícia no início do mês, quando Dave Duckenfield, antigo chefe da polícia, foi ilibado das acusações de negligência de que era acusado. As famílias das vítimas vão recorrer e o Liverpool reforçou novamente, via comunicado oficial, que a tragédia não aconteceu devido ao comportamento dos adeptos: mas este domingo, em Anfield, as consequências legais foram esquecidas e só as 96 pessoas que morreram em Sheffield em 1989 foram recordadas. Faz esta segunda-feira 30 anos que 96 adeptos de futebol morreram a assistir a uma meia-final da Taça de Inglaterra e o Liverpool, que este domingo recebia o Chelsea, fez questão de lembrar as vítimas através de um minuto de silêncio antes do apito inicial e de um You’ll Never Walk Alone acrescidamente emotivo.

O Liverpool jogava então com o Chelsea entre a eliminatória da Champions com o FC Porto e já sabia que, meia-hora antes do apito inicial em Anfield, o Manchester City já tinha batido o Crystal Palace. Era necessário então vencer os blues para regressar ao primeiro lugar da Premier League e acabar com um registo pouco favorável frente ao Chelsea, já que o Liverpool não vencia a equipa londrina em casa há seis jogos consecutivos. Em relação ao jogo com o FC Porto a meio da semana, Robertson voltava à esquerda da defesa e Matip ocupava o lugar de Lovren ao lado de Van Dijk. Do outro lado, Giroud e Higuaín começavam no banco e Hazard atuava enquanto falso ‘9’, apoiado por Willian num corredor e Hudson-Odoi no outro.

A primeira parte foi totalmente atada e as equipas acabaram por encaixar uma na outra, sem grandes oportunidades de golo e com o Liverpool e não conseguir materializar de forma alguma o leve ascendente que foi tendo. O Chelsea apresentava-se algo cauteloso, com todos os jogadores a atuarem atrás da linha da bola à exceção de Hazard, mas os reds não conseguiam impor a habitual vertigem que implementam entre linhas e viam-se obrigados a lateralizar o jogo, sem espaço na faixa central. Na ida para o intervalo, destacava-se apenas um lance de contra-ataque rápido do Liverpool em que Sadio Mané rematou ao lado já no interior da grande área e a lesão de Rudiger, que foi substituído por Christensen e que pode falhar assim a segunda mão dos quartos da Liga Europa na próxima quinta-feira, em Londres com o Slavia Praga.

O Liverpool regressou para a segunda parte com muito mais vontade de entrar nos últimos 30 metros do meio-campo do Chelsea, com mais mobilidade no ataque, uma pressão alta mais eficaz e a clara intenção de resolver a partida e não correr riscos. Os reds praticamente resolveram o encontro em três minutos: primeiro através de Mané, que surgiu sozinho a cabecear ao segundo poste depois de uma bonita jogada rendilhada entre Salah, Firmino e Henderson (51′); e depois por intermédio do jogador egípcio, que recebeu um passe longo de Van Dijk na direita, puxou para o meio e atirou de pé esquerdo para um golo sensacional que deixou Anfield rendido ao avançado (53′).

Maurizio Sarri reagiu com a entrada de Higuaín para o lugar de Hudson-Odoi e o argentino acabou por ajudar Hazard e Willian a encadear o ataque dos blues. O Chelsea poderia mesmo ter chegado ao golo por duas vezes, sempre através do avançado belga, mas primeiro Hazard atirou ao poste (59′) e depois Alisson evitou o empate (60′). O Liverpool acabou por sofrer nos minutos seguintes ao golo de Salah, já que o Chelsea forçou e empurrou a equipa adversária para trás, mas o conjunto de Klopp conseguiu evitar as precipitações e segurou o encontro a partir do minuto 65, não deixando grande espaço à criatividade da equipa londrina.

O Liverpool venceu o Chelsea em Anfield Road depois de seis jogos consecutivos em casa com os blues sem ganhar e regressou ao topo da liderança da Premier League. Quanto ao Chelsea, perdeu pontos importantes na luta pelos lugares que dão acesso à Liga dos Campeões do próximo ano, não conseguiu ultrapassar o Tottenham e fica agora à mercê do Manchester United e do Arsenal. Na antecâmara da visita ao Dragão para decidir quem passa às meias-finais da Champions, os reds deram mais um recital de futebol ofensivo e resolveram em três minutos um jogo que estava muito difícil.