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Governo quer exportações portuguesas para países lusófonos a crescer 3% ao ano

Segundo o secretário de Estado da Internacionalização o peso atual das exportações portuguesas para os países lusófonos não excede os 4 a 4,5% do bolo total das vendas de Portugal ao estrangeiro.

"Os mercados lusófonos também são cruciais para a diversificação" da economia portuguesa, diz secretário de Estado

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O Governo tem como objetivo um crescimento anual de 3% das exportações para os países lusófonos, em seis ou sete anos, disse à Lusa o secretário de Estado da Internacionalização.

Em entrevista, Eurico Brilhante Dias referiu que para cumprir a meta estabelecida pelo executivo de as exportações nacionais atingirem um peso de 50% no PIB português em meados da próxima década, seria “útil que a presença nos mercados lusófonos, quer em África, quer, em particular, no Brasil, pudesse crescer mais do que crescem as exportações” nacionais no seu conjunto.

“O que quer dizer que deveríamos fazer crescer ao ano, em termos reais, pelo menos em 3% as nossas exportações para os mercados lusófonos”.

Segundo o governante, o peso atual das exportações portuguesas para os países lusófonos não excede os 4 a 4,5% do bolo total das vendas de Portugal ao estrangeiro.

“Isto significa que as exportações para os países lusófonos representam 2 a 2,5% do PIB português” hoje.

Atingindo um crescimento ao ano de 3% das exportações para os países lusófonos, nos próximos seis a sete anos, tratar-se-ia de “um valor acumulado muito significativo – que faria crescer as exportações até 2025 – aproximadamente entre 20% a 22% da base que tem hoje”, considerou.

“Este crescimento era muito relevante, porque são dois crescimentos cumulativos: as exportações a crescer mais do que a média da economia e depois as exportações para os países lusófonos a crescerem mais do que as exportações, no seu conjunto”, referiu o secretário de Estado.

Para Brilhante Dias este é um cenário “possível e que tem um chão sólido”.

Entre os lusófonos, o primeiro mercado ainda continua a ser Angola, com um peso de 2,5%, “embora este país já tenha registado antes um peso mais expressivo” no bolo das exportações nacionais, logo seguido do Brasil, com cerca de 1%.

Quanto a São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Guiné-Bissau, são mercados de dimensão pequena, mas onde Portugal tem muita importância.

Considerando que “os mercados lusófonos também são cruciais para a diversificação” da economia portuguesa, o secretário de Estado admitiu, porém, que o peso relativo de alguns destes países nas exportações portuguesas depende muito, apesar de todo o esforço de diversificação das economias, do peso das matérias-primas energéticas.

“No caso de Angola isso é uma evidência, no caso Brasil também”, apontou. Em São Tomé e Príncipe isso também pode ser uma possibilidade e em Moçambique será também uma evidência com a exploração de gás na Bacia do Rovuma, considerou.

Em Angola, referiu, Portugal tem hoje aproximadamente sessenta por cento, ou seja, “praticamente metade” dos exportadores que tinha em 2008 e 2009, mas acredita que é possível melhorar.

O Governo português tem agora “a expetativa de criar as condições com o Governo angolano, também no seu propósito de diversificação da economia angolana, para que a presença de Portugal e de empresas portuguesas com investimento direto em Angola, mas também com exportações de bens e equipamentos fundamentais para a diversificação da economia angolana possa permitir aumentar as exportações para Angola”, acrescentou.

Brilhante Dias defendeu ainda que o relacionamento com os países lusófonos não deve ser focado “nos elementos conjunturais e contextuais”.

O relacionamento com Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, como se tem visto neste momento de aperto na cidade da Beira, em Moçambique, na sequência do cilone Idai, com a Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste “não é um relacionamento de conjuntura, contexto ou oportunidade. É um relacionamento de sempre, que vem do passado, é no presente e continuará seguramente no futuro”, concluiu.

“Porque a presença de empresas portuguesas é algo que está muito enraizado” nestes países, acrescentou.

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