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O seu pneu não mente. Já sabe lê-lo?

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Grande parte da segurança do seu automóvel está nos pneus. Saiba reconhecer danos e sinais que pedem uma ida à oficina e aprenda a prevenir situações que têm, quase sempre, consequências graves

Getty Images/iStockphoto

O que é um pneu?

Um pneu é um produto composto por vários materiais e algumas camadas cujo fabrico implica uma grande precisão:

  • A camada mais interior é a câmara-de-ar.
  • Sobre esta, está a chamada carcaça, formada por cabos finos de fibras têxteis que dão a resistência ao pneu. Para ter uma ideia, cada cabo resiste a uma força de 15kg e nesta camada do pneu há cerca de 1400 cabos.
  • A camada seguinte chama-se talão e tem uma função importante na travagem do carro.
  • A fixar o pneu na jante estão os aros do talão, que também são muito resistentes.

    O seu pneu tem identidade. Saiba decifrá-la

    Na parte lateral de cada pneu está inscrita uma série de informações que são como que o seu cartão de identificação. Permitem perceber a sua medida, os limites do seu uso, os dados de fabricação, etc. Compreender estas informações é fundamental para se ter certeza de que se está a utilizar o pneu correto. Veja o que significam:

    + instruções aqui

    Com as legendas respectivas:

    205 – Mostra a largura de secção do pneu em milímetros

    50 – É a relação entre a altura e a largura de secção (neste caso a altura do pneu é 50% da sua largura)

    R – Construção Radial

    15 – Diâmetro da jante, em polegadas

    86 – Indica o Índice de Carga, ou seja, o peso máximo que cada pneu pode suportar. É preciso decifrar o peso na tabela indicativa de carga disponível nas lojas especializadas

    V – Código de Velocidade – Cada pneu tem o seu limite em termos de velocidade de rodagem (da mesma forma que o índice de carga, existe um diagrama ou tabela que mostra a velocidade máxima para a qual o pneu foi construído, também nas lojas especializadas)

    TUBELESS – A indicação “tubeless” ou TL significa que é um pneu sem câmara de ar. Quando tem câmara de ar surge a indicação “tubetype” ou TT

    CV90 – Define o desenho dos sulcos do pneu

    Pode ler-se ainda:
    Taxa Máxima de Carga de 1224 LBS
    Pressão Máxima de 36 PSI
    As lonas são compostas de seis camadas, sendo duas de Rayon, duas de aço e duas de Nylon
    As laterais tem lonas com duas camadas de Rayon

  • Há ainda os flancos de borracha macia que protegem o pneu dos pequenos choques contra o passeio, buracos, etc. que poderiam causar danos na carcaça. Uma borracha dura assegura a ligação entre o pneu e a jante.
  • Sobre estas há as lonas de reforço, feitas com cabos de aço muito finos e muito resistentes. O cruzamento dos seus fios com os da carcaça formam triângulos indeformáveis.
  • Por fim, a banda de rolamento é disposta sobre as lonas de reforço. Esta parte do pneu, com as chamadas esculturas, é a que fica em contacto com a estrada. Nesta área, a banda de rolamento tem de resistir a grandes esforços. Por isso a mistura que a constitui deve ser aderente em todos os tipos de solos, resistir ao desgaste, à abrasão, e aquecer o menos possível. Raramente se pensa na sofisticação de um pneu. Mas tudo é feito para que as suas viagens decorram com suavidade, segurança e uma boa chegada ao destino. Daí a sua grande importância. É preciso cuidar bem desta parte do seu carro e zelar para que as suas funções não fiquem comprometidas.

Como fazer com que os pneus durem mais?

O tratamento de pneus usados já existe, com sucesso, desde 2003 em Portugal mas uma das recomendações que devemos seguir é evitar o desgaste prematuro e a obrigatória troca, com as despesas inerentes. Assim, uma boa manutenção dos pneus é meio caminho andado para poupar dinheiro e melhorar o desempenho do seu carro. Além, é claro, de tornar a sua condução muito mais segura, quer ver?

  • Verifique a pressão com frequência e mantenha sempre a adequada. Se circular com menos 0,6 bar os seus pneus podem durar apenas metade do tempo. Além disso o motor sofre maior exigência o que aumenta o consumo de combustível.
  • Examine os seus pneus periodicamente para ver se há sinais de dano como cortes ou objetos encaixados entre as esculturas. Podem não esvaziar o pneu de imediato mas mais cedo ou mais tarde, terá de o mandar reparar. Mais vale consertar logo que haja sinais, por mais insignificantes que pareçam.
  • Mantenha a direção alinhada – gastará menos dinheiro e menos tempo do que se os pneus se desgastarem depressa demais.
  • Evite fazer curvas a alta velocidade, pois aumenta o atrito com o solo e o aquecimento do pneu provocando mais desgaste.
  • Troque a posição dos pneus a cada 10.000 km para que o desgaste seja uniforme e mais demorado.Estas práticas têm vantagens a todos os níveis. Enquanto promove a longevidade dos seus pneus, conduz com mais segurança, poupa o seu dinheiro e reduz a necessidade do fabrico de pneus novos, o que é muito positivo para o meio ambiente.

Como saber se está na altura de comprar pneus novos?

Regra geral, um pneu dura 40.000 km, ou cerca de cinco anos. Depois disso, convém examiná-los todos os anos para evitar surpresas desagradáveis. Mas se notar deformações nas rodas, desgaste visível das esculturas, cujos sulcos devem ter no mínimo 1,6 mm (costuma dizer-se que os pneus ficam lisos) e tiver furos frequentes é provável que os seus pneus tenham chegado ao fim. O melhor conselho que lhe podemos dar é: não tente fazer economias e troque os pneus o mais rapidamente possível.

Valorpneu em números

2 voltas à Terra
é o que podemos fazer com os pneus que a Valorpneu recolhe e valoriza a cada dez anos

4.000.000 de árvores
Foram poupadas graças ao reaproveitamento de borracha em dez anos de reciclagem de pneus

Menos 2,5 vezes   (-2,5 vezes)
de energia é consumida para recauchutar um pneu em vez de fabricar um novo

Metade do tempo (1/2 do tempo)
É o que dura um pneu se tiver menos 0,6 bar em relação à pressão adequada

187 536 135
Pneus tratados

2 019 365 t CO2eq
de emissões evitadas

60 500 197 GJ
de energia poupada

Prefira uma loja ou oficina que se preocupa com a reciclagem ou valorização energética dos pneus velhos. Pergunte o que fazem aos pneus em fim de vida e sugira que os entreguem num dos Centros de receção da Valorpneu. Não tem qualquer custo a não ser o transporte até lá e existe uma rede por todo o país. Continue a ler este artigo e perceba a importância desta atitude.


O que acontece aos pneus velhos?

Uma coisa é certa: se não houver compromisso com a sua reciclagem ou valorização, os pneus velhos serão apenas mais um tipo de lixo que polui e prejudica o meio ambiente.

Ao contribuir para que os pneus em fim de vida sejam devidamente tratados, os consumidores e as empresas do setor (recauchutadores, oficinas, lojas especializadas, etc.) estão, de facto, a proteger o planeta. Já tinha pensado nisso? A Valorpneu é a única entidade licenciada para fazer este trabalho em Portugal. Através do seu Sistema Integrado de Gestão de Pneus Usados, SGPU, esta empresa sem fins lucrativos assegura a reciclagem e a valorização energética dos pneus que já não servem para circular em automóveis ou outros veículos. Uma vez recauchutados, os pneus ganham nova utilidade. Ao serem reciclados, dão origem a novos produtos como campos de futebol sintéticos, pavimentos e parques infantis, entre outros. E quando são encaminhados para valorização energética, os fragmentos em que previamente se transformam podem substituir combustíveis fósseis não renováveis. Três fábricas da Secil e duas da Cimpor (ambas cimenteiras), bem como a instalação de cogeração da Recauchutagem Nortenha já utilizam esta fonte de energia, evitando o consumo de combustíveis fósseis muito mais poluentes.

Todo o processo é financiado pelo Ecovalor, uma pequena taxa (pouco mais de 1 euro no caso de um pneu para veículos ligeiros) que é paga sempre que um pneu entra no mercado nacional.

Qual o papel de um simples consumidor?

Por menor que possa parecer, o papel de um consumidor tem relevância em todo este processo. Como sabemos, o que sustenta as empresas são as vendas e os compradores podem fazer algumas exigências. Quando trocar os pneus do seu carro, mostre que escolhe o seu fornecedor de acordo com o compromisso dele com a valorização dos pneus velhos. Afinal, quase todos vendem os mesmos pneus e o cuidado com o planeta pode fazer a diferença na preferência dos clientes. Se ainda não o fazem, sugira que passem a entregar os pneus em fim de vida num dos Centros de Receção da Valorpneu. O único custo é o do transporte, que dificilmente será significativo pois a rede de Centros está espalhada pelo país. A Valorpneu conta consigo nesta missão.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

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