China

Trabalhadores das empresas tecnológicas chinesas contestam as 12 horas de trabalho diário durante seis dias por semana

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O fundador do grupo Alibaba considera o "996" — trabalhar entre as 9 da manhã e as 9 da noite, durante 6 dias — uma "grande bênção", que os trabalhadores devem encarar como uma honra e não um fardo.

Jack Ma é o fundador da Alibaba e um dos defensores do "996"

Getty Images

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As mais recentes declarações do CEO do grupo Alibaba veio intensificar os protestos dos trabalhadores das grandes empresas tecnológicas chinesas contra  o horário “996”: entre as nove da manhã e as nove da noite, seis dias por semana. Segundo o The Guardian, os trabalhadores criaram uma “lista negra” das empresas com estas práticas, que já conta com mais 150 entradas, entre as quais estão a Alibaba e a Huawei, por exemplo.

Jack Ma, fundador da Alibaba, considera o “996” uma “grande bênção”, que os trabalhadores devem encarar como uma honra e não um fardo. “Se trabalhas na Alibaba tens de estar pronto para trabalhar 12 horas por dia. De outra forma porque é que vieste para a Alibaba? Não precisamos daqueles que trabalham confortavelmente durante oito horas”, escreveu num chat da empresa na passada sexta-feira, de acordo com o The Guardian.

A polémica foi tanta que o fundador da gigante tecnológica teve de esclarecer, no domingo, que a decisão de trabalhar horas extra deve ser do funcionário, e que não se trata de uma imposição das empresas.

“Ninguém gosta de trabalhar numa empresa que obriga os funcionários a trabalhar 996. Não só é desumano, pouco saudável e insustentável durante longos períodos, como os trabalhadores, os familiares e a própria lei não o aprovam”, disse o CEO no Weibo. “Se encontrarmos um emprego do qual gostamos, o problema do 996 não existe; mas se não há essa paixão, qualquer minuto no trabalho é um tormento”.

Jack Ma não está sozinho nesta cruzada. Em novembro, o fundador da Tesla, Elon Musk tinha ido no mesmo sentido defendendo que “nunca ninguém mudou o mundo a trabalhar 40 horas por semana”.

A mesma visão do CEO da Alibaba é partilhada pela gigante dos telemóveis, Huawei, que também é acusada de incentivar horários de trabalho mais longos.

Outra das empresas ligadas ao comércio online, a JD.com, também integra a lista negra dos trabalhadores chineses. Richard Liu, o fundador, sustenta que os empregados devem cumprir o horário das nove da manhã às nove da noite, e considera-o necessário para combater o número crescente de “preguiçosos” na empresa. “Se isto continuar, não há esperança para a JD e a empresa vai ser expulsa do mercado! Os preguiçosos não são meus irmãos”, partilhou Liu numa nota divulgada na sexta-feira.

As 12 horas de trabalho diário, seis vezes por semana, não é prática incomum, não sendo também das mais polémicas. Para além do “996”, existe outro horário mais penoso para os trabalhadores chineses. A Ant Financial, empresa também detida por Jack Ma, instituiu um horário “9106” — das nove da manhã às 10 da noite, seis dias por semana.

O tema tem sido presença assídua nas discussões das redes sociais e o jornal britânico destaca um comentário de um trabalhador, em particular: “A maioria das empresas atuais são máquinas que não podem parar. Somos todos parafusos. Se um parafuso está enferrujado, basta poli-lo, colocar um pouco de lubrificante, aparafusá-lo de novo e usá-lo. Se partir, eles encontram outro parafuso para substituí-lo. A máquina não pode parar”.

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