Hotéis

O hotel onde Churchill fez check in quando teve a casa em obras reabre portas depois das chamas

O luxuoso Mandarin Oriental, em Londres, acolheu o antigo-primeiro ministro, em 1951, permitiu a entrada de 12 cabras a um sultão, e viu a rainha Isabel II aprender a dançar no seu salão de baile.

Um recorte da suite Churchill, para uma verdadeira viagem no tempo © DR

Tinha regressado ao poder e uma casa em obras. Corria o ano de 1951 quando o primeiro-ministro Winston Churchill (1874-1965) se instalou provisoriamente no Mandarin Oriental, famoso h0tel no Hyde Park, em Londres, que foi notícia em 2018 na sequência de um incêndio que forçou o seu encerramento para as obras que se impunham — curiosamente, o espaço tinha acabado de sofrer uma intervenção pouco antes desse malogrado episódio em julho.

A morada, com 117 anos de história reabriu portas oficialmente esta segunda-feira, e permite aos hóspedes desfrutar de uma experiência que evoca a passagem desta figura pelo hotel. A partir de 796 libras (qualquer coisa como 922 euros), e até 31 de dezembro de 2019, é possível saborear uma very british primeira refeição do dia, bebericar Pol Roger, o champagne preferido do histórico hóspede, dois charutos de chocolate e ainda receber de souvenir uma fotografia emoldurada da chegada ao hotel (a imagem em baixo).

O antigo primeiro-ministro à chegada ao hotel, em 26 de abril de 1951 © Mandarim Oriental

Para a história deste endereço em Knightsbridge ficaram peculiares momentos e uma relação de cumplicidade com os empregados da casa, como o dia em que Churchill ofereceu dois charutos em troca da antecipação da hora do pequeno-almoço, recordava o Mandarim em vésperas de voltar ao ativo. Foi também aqui que Margaret Thatcher celebrou os seus 80 anos, festejo que contou com a presença da própria rainha, do duque de Edimburgo, e ainda dos antigos primeiros-ministros John Major e Tony Blair. O hotel garante ainda que foi no seu salão de baile que Isabel II e a sua irmã, a princesa Margarida, aprenderam a dançar.

As luxuosas suites beneficiaram de melhoramentos a pensar na grande reabertura © Mandarim Oriental

Outras figuras conhecidas fizeram check in neste reduto, que não esquece as partidas pregadas pelo irascível romancista britânico Evelyn Waugh (1903-1966). Instalava-se regularmente no hotel e adorava trocar os sapatos que os outros hóspedes deixavam à portas dos quartos. Recuando ainda mais no tempo, uma pausa para lembrar como apesar de todos os confortos e mordomias as 12 cabras que em 1929 acompanhavam o sultão de Zanzibar foram bem acolhidas. Para não dizer que durante a estadia de Mahatma Ghandi uma cabra foi ordenhada diariamente para que o leite lhe pudesse ser servido.

Com alterações introduzidas ao nível dos quartos e suites, e com duas novas penthouses, o renovado design ficou a cargo de Joyce Wang, que se terá inspirado no cenário do Hyde Park e no glamour da era dourada das viagens. Cada cómodo terá uma pequena biblioteca com curadoria da livraria Heywood Hill, bem como tapetes de yoga, máquinas de café Nespresso e amenities com assinatura Miller Harris e Jo Hansford.

Remonta a 1880 o plano para a construção do edifício, sendo que a construção foi adiada pelo receio de o hotel, que se tornaria assim um dos edifícios mais elevados da cidade, provocaria uma sombra sobre a Serpentine. A inauguração oficial como Hyde Park Hotel aconteceria em 1902, com o hotel a ser comprado em 1996 pelo grupo Mandarim Oriental, uma mudança que motivou uma renovação profunda e uma reabertura em maio de 2000.

“Se as parede falassem” é o nome da exposição patente no Bar Boloud, que revista estes e muitos outros momentos-chave da vida ilustre do hotel. Em jeito de celebração, será ainda servido em afternoon tea ao estilo de 192o, bem como vários coktails inspirados em figuras lendárias.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: mrsilva@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)