Rádio Observador

Itália

Salvini assinou nova diretiva contra ONGs que resgatam migrantes no Mediterrâneo

Segundo o ministro do Interior italiano, existe uma ameaça de terrorismo e nenhum navio com migrantes está autorizado a entrar em Itália. Diretiva obriga navios privados a respeitar prerrogativas.

Medida foi suscitada pelo caso do navio "Mar Jónio", que foi apreendido pelas autoridades italianas

DANIEL DAL ZENNARO/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, assinou esta terça-feira uma nova diretiva contra as organizações não-governamentais (ONG) que resgatam migrantes na costa da Líbia, visando particularmente o navio “Mar Jónio” da ONG italiana Saving Humans.

A diretiva intima os navios privados, nomeadamente o italiano “Mar Jónio”, a “respeitar legitimamente as prerrogativas de coordenação das autoridades estrangeiras” responsáveis pelos resgates.

O ministério referiu a ameaça das “centenas de terroristas islâmicos” que se aproveitam do conflito na Líbia para chegar ao mar Mediterrâneo, acrescentando que os traficantes “exploram” a presença dos navios humanitários na costa da Líbia. “Nós esperamos que a diretiva não se refira à autoridade líbia”, afirmou a ONG Mediterranea, acrescentando: “Isso seria uma incitação ao crime: se já era crime levar as pessoas resgatadas de volta para a Líbia, hoje com a guerra em curso, é simplesmente criminoso”.

No passado dia 19 de março, o “Mar Jónio” foi apreendido pelas autoridades italianas no âmbito de uma investigação por suspeita de auxílio à imigração ilegal. O inquérito visou o comandante do navio Pietro Marrone e o chefe de operações Luca Casarini. Antes de ser apreendido, o navio humanitário tinha resgatado 49 migrantes, incluindo 12 menores, que se encontravam num bote pneumático, em dificuldades, a cerca de 40 milhas náuticas a norte da Líbia.

Uma lancha da guarda-costeira líbia encontrava-se perto dos migrantes, mas os ativistas italianos preferiram socorrer as pessoas e evitar que estas fossem entregues à Líbia, onde muitas correm o risco de agressões e de violência.

Posteriormente, o navio fretado pela Mediteranea posicionou-se ao largo da ilha italiana de Lampedusa, na Sicília, para se proteger do mau tempo. As autoridades italianas ordenaram que a embarcação permanecesse a uma certa distância. Por não ter cumprido tal ordem, o navio foi apreendido e conduzido ao porto de Lampedusa, onde os migrantes desembarcaram.

A atual coligação governamental italiana, composta pela Liga (partido de extrema-direita) e o Movimento 5 Estrelas (M5S, populista), tem adotado uma linha dura em matérias relacionadas com as migrações e dificultado o trabalho dos navios humanitários envolvidos no resgate de migrantes no Mar Mediterrâneo.

Embora as autoridades italianas receiem que os combates na Líbia possam motivar milhares de africanos e líbios a fugir para o Mar Mediterrâneo, Salvini repetiu, nos últimos dias, que nenhum navio com migrantes está autorizado a desembarcar em Itália.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)