Duas equipas inglesas, uma espanhola e uma holandesa. O quadro das meias-finais da atual edição da Liga dos Campeões está completo e o Liverpool vai defrontar o Barcelona, ao passo que o Ajax encontra o Tottenham. De um lado, dois finalistas recentes; do outro, a inexperiência de quem não chegava às meias-finais da Champions há mais de 20 ou 50 anos. Se os quartos de final traziam a garantia de um Brexit, já que os spurs defrontaram o Manchester City, as meias-finais trazem a possibilidade de uma final total inglesa — à semelhança do que aconteceu em 2007/08, quando o Manchester United de Ronaldo venceu o Chelsea na final de Moscovo.

Barcelona-Liverpool: o vingar dos desaires recentes

Os catalães eliminaram o Manchester United de forma quase inequívoca e chegaram às meias-finais depois de três épocas consecutivas em que caíram nos quartos (perante Atl. Madrid, Juventus e Roma). Na última vez em que chegou a esta fase, em 2014/15, o Barcelona acabou por vencer a Juventus na final e conquistou a quarta Liga dos Campeões no espaço de dez anos. Os espanhóis, únicos representantes do país depois das eliminações do Real Madrid e do Atl. Madrid na ronda anterior, já têm a Liga espanhola praticamente decidida e estão na final da Taça do Rei — situação que deixa a Ernesto Valverde mais do que margem de manobra para preparar uma eliminatória que começa em Camp Nou e termina em Anfield.

Do outro lado, o panorama não é tão simples assim. O Liverpool é líder na Premier League mas tem o Manchester City — que esta quarta-feira ficou sem outro objetivo que não o Campeonato ou a Taça — a dois pontos de distância e com menos um jogo. Sem paz dentro de portas, o Liverpool acabou por eliminar o FC Porto sem grande dificuldade e é atualmente o único finalista da temporada passada ainda em prova, já que o Real Madrid caiu aos pés do Ajax ainda nos oitavos. A equipa de Jürgen Klopp vai tentar reeditar a presença na principal final europeia e vingar a noite de Kiev em que Cristiano Ronaldo disse que tinha sido bonito jogar em Madrid logo após conquistar a terceira Champions consecutiva.

Tottenham-Ajax: a eliminatória dos improváveis

Se na outra meia-final se encontram dois finalistas recentes, o mesmo não acontece naquela que opõe ingleses e holandeses. No que diz respeito ao Tottenham, que eliminou o Manchester City no Etihad depois de uma segunda mão inacreditável que teve um golo anulado pelo VAR ao terceiro minuto de descontos, a equipa de Londres não marcava presença numa meia-final da principal competição de clubes da Europa desde 1961/62. Nessa temporada, há mais de 50 anos, o Tottenham caiu nas meias-finais da Taça dos Campeões Europeus perante o Benfica de Coluna e Eusébio — que acabaria por vencer o Real Madrid na final para se sagrar bicampeão europeu.

O melhor que a equipa de Mauricio Pochettino havia feito nos anos mais recentes tinha sido chegar os quartos de final da Champions em 2010/11, onde acabou por ser eliminada pelo Real Madrid. Já sem ambições palpáveis de conquistar a Premier League — mas ainda na luta pelo terceiro lugar, com Arsenal, Chelsea e Manchester United sempre por perto –, os spurs podem agora concentrar-se no assinalável feito que seria chegar a uma final da Liga dos Campeões pela primeira vez.

Já o Ajax é a equipa sensação da atual edição da Liga dos Campeões: eliminou o Real Madrid no Santiago Bernabéu depois de ter perdido na Holanda e eliminou a Juventus em Turim depois de ter empatado em Amesterdão. A jovem equipa comandada por Erik ten Hag, que conta com o prodígio De Ligt na defesa, o talentoso De Jong no meio-campo e o eficaz David Neres no ataque — já sem falar em Tadic ou Ziyech –, levou o Ajax às meias-finais da Liga dos Campeões que escapavam desde 1996/97, ano em que o português Dani fazia parte do plantel orientado por Van Gaal. Sem esquecer a presença na final da Liga Europa em 2007 (perdida para o Manchester United de Mourinho), a verdade é que o Ajax anda arredado da glória europeia desde os anos 90, década em que chegou a duas finais consecutivas da Champions: vencendo apenas uma, em 1995, com uma equipa que tinha Kluivert, Rijkaard e os irmãos De Boer.