O Presidente norte-americano vetou esta quarta-feira a resolução aprovada pelo Congresso no início deste mês que exortava Donald Trump a terminar com todo o apoio à coligação militar saudita que intervém no Iémen.

“Esta resolução é uma tentativa desnecessária e perigosa de enfraquecer os meus poderes constitucionais, pondo em perigo a vida dos cidadãos norte-americanos”, afirmou Trump, numa declaração sobre o texto adotado pelas duas câmaras do Congresso no dia 04 de abril.

Pela primeira vez em 45 anos, o Congresso utilizou uma lei votada em 1973, denominada ‘War Powers Resolution’ (resolução de poderes de guerra numa tradução livre), para limitar os poderes militares de um Presidente do país.

A rara união entre deputados Democratas e Republicanos nesta votação pode ser explicada em grande medida pela profunda cólera no Congresso pelo assassínio em Istambul do jornalista saudita Jamal Khashoggi em outubro de 2018, por um comando proveniente de Riade.

O veto já era esperado, pois em março a Casa Branca já havia manifestado “firme oposição” a esta resolução “imperfeita”, dando a entender que seria bloqueada pelo Presidente.

Com a resolução sobre o Iémen, o Congresso exigia a DonaldTrump a retirada das “forças armadas americanas das hostilidades que atingem a República do Iémen”, à exceção das operações que visem a Al-Qaida e associados.

Desde 2015 que o Pentágono fornece um “apoio não-combatente” à coligação conduzida pela Arábia Saudita no Iémen, incluindo a entrega de armamento e fornecimento de informações.

No final de 2018 os Estados Unidos da América suspenderam as suas operações de abastecimento em voo da aviação saudita.

O Iémen regista um devastador conflito após a intervenção de uma coligação árabe sob comando saudita em março de 2015, em apoio às forças pró-governamentais contra os rebeldes huthis.

As forças insurgentes são apoiadas pelo Irão, o grande rival xiita da Arábia Saudita sunita no Médio Oriente.

Segundo as Nações Unidas, este conflito provocou a maior catástrofe humanitária no mundo, com um balanço de mais de 10.000 mortos. Diversas organizações não-governamentais consideram, contudo, que o balanço das vítimas é muito superior.