Fado

“Namorico do André” é o primeiro single dos Fado Bicha que preparam álbum de estreia

O novo single e o videoclipe dos Fado Bicha "Namorico do André" vão ser divulgados publicamente esta sexta-feira. Este passou a ser o primeiro fado a falar abertamente de um amor homossexual.

Lila Fadista contou que, a nível artístico, esta era uma experiência que os dois ambicionavam há muito tempo ter

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

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  • Agência Lusa
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A história de amor entre Chico peixeiro e André pescador saiu do mercado da Ribeira, e transformou-se no primeiro single do Fado Bicha, com honras de videoclipe, disponível nas plataformas digitais, numa ode ao amor homossexual.

O fado, uma adaptação do conhecido “Namorico da Rita”, imortalizado na voz de Amália Rodrigues, foi a primeira música a ser adaptada por Lila Fadista, ainda antes da chegada de João Caçador e da criação da dupla.

A Rita passou a André, o romance proibido passou a ser a paixão entre dois homens e o “Namorico do André” passou a ser o primeiro fado a falar abertamente de um amor homossexual que, tal como lembrou João Caçador, “sempre existiu, mas nunca foi retratado”.

Nenhum poeta, nenhum fadista, nenhum músico, nenhum letrista, até hoje, teve a ousadia, ou a possibilidade, de poder criar e de poder falar sobre isso abertamente e representar as nossas identidades que, invariavelmente, são sempre postas como não recomendadas”, apontou o músico e compositor.

O single e o videoclipe vão ser divulgados publicamente na sexta-feira, dia 19, em todas as plataformas digitais, desde o spotify ou o itunes, até ao youtube, estando já prevista a divulgação de mais um single no próximo mês de maio.

O processo musical conta com a colaboração do produtor Twins, diretor musical do músico Dengaz e que trabalha com artistas como Plutónio ou o Diogo Piçarra, e graças ao qual o Fado Bicha está a passar “para outro nível, pelo menos musical”.

“Precisávamos desta fase de Fado Bicha. Depois de darmos muitos concertos só voz e guitarra, agora passarmos para uma plataforma, com um enriquecimento musical mais estruturado e com uma produção maior”, disse João Caçador.

Lila Fadista contou que, a nível artístico, esta era uma experiência que os dois ambicionavam há muito tempo ter, o estar em estúdio, gravar, trabalhar com um produtor e, depois da música gravada, gravar um videoclipe.

Além disso, e apesar dos mais de cem concertos dados em menos de dois anos de atividade, sentiam falta de conseguirem chegar a outros públicos, principalmente os que não vivem nos locais por onde têm atuado, levando a essas pessoas não só a música, mas também a mensagem que ela transporta.

João Caçador não tem dúvida de que a primeira grande expectativa vai ser cumprida, que é trazer para um videoclipe o romance entre dois homens, expresso, não só, na sua parte mais física, mas sobretudo através dos afetos.

A nossa orientação sexual é a nossa maior forma de ativismo e de política que podemos ter, sem constrangimentos, e eu acho que as pessoas vão gostar nem que seja só por isso, por se sentirem finalmente representadas em alguma coisa que fala sobre elas”, sublinhou.

Já Lila Fadista tem plena noção que muitas pessoas vão criticar, vão dizer que aquilo não é fado, que vão ter “reações muito negativas”.

“É óbvio que se nós sairmos da toca (…) as pessoas vão-nos cair em cima e achar que é desadequado, que é para chamar a atenção, mas se esse é o preço a pagar por estarmos cá fora e dizermos que existimos, sorrimos e amamos, então nós pagamos”, afirmou.

No videoclipe, realizado por Tiago Leão, o Chico e o André são representados por um rapaz brasileiro e outro angolano, o que, sublinhou Lila, “acaba por ser uma evocação das origens do fado na música brasileira e na música de Angola”.

Depois, há uma mãe e um pai que são contra o amor dos dois, demonstrado em “cenas bem sensuais de amor no cais palafítico da Carrasqueira, ali ao pé de Alcácer do Sal”.

João Caçador sublinhou que simplesmente se representam a si próprios e a mais ninguém, mas admite que também têm a noção de que acabam por ser o “símbolo de algo maior” através da música que compõe e que, graças a isso, trazem “para a luz” identidades pouco representadas.

“Seria um prazer imenso ter pessoas da comunidade do fado, fadistas que admiro, apoiarem, não necessariamente a música que nós fazemos, mas o objetivo, a nossa missão e aquilo que nós trazemos”, confidencia Lila Fadista, acrescentando que, até agora, isso ainda não aconteceu.

Apesar dos “constrangimentos de vária ordem”, sobretudo financeiros, a dupla tem objetivos claros. Já gravaram o segundo tema, no próximo ano lançam o álbum, e, no final de maio, aparecem “os primeiros grandes concertos Fado Bicha”, o primeiro no dia 30, no MusicBox, em Lisboa, depois, a 31, em Évora e, em junho, no Porto.

Depois pretendem encerrar um círculo, “de subversão muito direta”, pararem, terem tempo para compor de raiz, música e letra, “coisas mais conceptuais, talvez”, e elevarem o Fado Bicha a outro patamar.

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