Começou nas capas dos jornais nacionais, saltou para os destaques de muitas publicações internacionais (ainda esta quinta-feira a Gazzetta dello Sport falava no avançado como uma das grandes apostas da Juventus para a próxima temporada, enquanto o As argumentava que os valores que Barcelona e Real poderiam oferecer são curtos em relação ao pretendido) e chegou também à UEFA. “Lenda com quem gostava de ter jogado? Rui Costa. Estádio preferido? Estádio da Luz. Superstição antes de cada jogo? Ligar ao meu pai quando chego ao estádio”. Tudo respostas do miúdo do momento, João Félix.

O futebol é um jogo para fortes mas o segredo é encontrar o elo mais fraco (a crónica do Eintracht-Benfica)

Numa entrevista com perguntas rápidas, o avançado acrescentou ainda que gosta de jogar basquetebol e andebol (embora aqui já tenha gostado mais) além de PlayStation, que a pessoa mais famosa na sua lista de contactos é o empresário Jorge Mendes e que o mais divertido no balneário é André Almeida. Mas as redes sociais da UEFA não ficaram por aí, colocando também um tweet com os golos apontados ao Eintracht na primeira mão que lhe valeram a “distinção” de mais novo de sempre a fazer um hat-trick na prova. Chegou o jogo, mudou o cenário. A exibição abaixo do esperado do Benfica levou mesmo à eliminação nos quartos da Liga Europa e Félix pouco ou nada conseguiu fazer para evitar esse destino. Ainda assim, pouco depois do apito final, voltou a ser protagonista de forma indireta na conferência de Bruno Lage após o encontro.

“Posicionamento do João Félix à esquerda? Tenho de perder algum tempo a explicar, porque senão depois dizem que o treinador é burro porque colocou o Félix no lado esquerdo… O João [Félix] movimentou-se para a esquerda mas o objetivo era jogar entre linhas. A ideia era ter o Félix e o Gedson lado a lado entre o médio deles. Depois, o Seferovic caia na esquerda e na direita a largura era dada pelo Rafa. Mas não estivemos tão inspirados como no primeiro jogo. O Félix defendeu pela esquerda, mas a atacar fê-lo por dentro”, explicou quer na zona de entrevistas rápidas, quer na conferência, onde agarrou mesmo numa garrafa para “fazer” de Félix e num outro jarro que estava na mesa para explicar a posição ocupada por Gedson.

Antes, o técnico que foi expulso pela primeira vez na carreira explicou o que se passou nesse momento e quase acabou por fazer um mea culpa, não por desconhecer que não havia VAR nesta fase da Liga Europa mas pelo hábito que se vai ganhando de ter essa ferramenta em todos os jogos de futebol, neste caso no plano nacional (mais concretamente no Campeonato).

“Na Liga Europa temos o monitor junto ao banco e verifiquei logo o que é visível, que o jogador do Eintracht estava em fora de jogo. Disse isso ao quarto árbitro e depois virei-me para o árbitro, de forma tranquila. É verdade que dei três ou quatro passos acelerados para o quarto árbitro mas fiz o sinal do VAR ao árbitro principal, como em Portugal estamos habituados a isso. Se ele levou isso como uma ofensa para me expulsar… Há muitos que reagem de uma certa forma e continuam em jogo. Não tendo sido um jogo tão forte como o da primeira mão, criámos as ocasiões suficientes para seguir em frente. Os golos sofridos em casa penalizaram de novo a equipa, como já tinha acontecido na Taça de Portugal”, argumentou.

“Não me estou a agarrar a isso [do golo não anulado], apenas a justificar o que vi. Até ao primeiro golo não há grandes ocasiões. Do nosso lado direito não fomos tão eficazes a explorar o facto de o lateral deles afundar muito no André Almeida. Durante os 45 minutos a pressão não foi tão forte como estava preparado mas fizemos a reflexão e na segunda parte entrámos melhor, com ocasiões. Não conseguimos apesar disso a passagem”, acrescentou, antes de virar o foco para “as cinco finais que faltam”. “Vamos olhar para elas como algo muito importante e decisivo. Mais pressão? Sou magrinho mas rijo e aguento com tudo”, concluiu, deixando um apelo aos “verdadeiros benfiquistas” para continuarem a apoiar a equipa nesta reta final.