Rádio Observador

Música

Quando Madonna filmou em Monsanto: “Ela sabe o que quer e como quer”

232

Portuguesa gravou com Madonna no Panorâmico de Monsanto, em Lisboa, e as imagens estão a ser usadas no vídeo de promoção do novo álbum da rainha da pop. Descubra o que aconteceu a 21 de janeiro.

"Tive luz verde numa sexta, fizemos a repérage num domingo e estávamos a filmar na segunda", revela a produtora portuguesa Telma Alfredo, que trabalhou de perto com Madonna

FRANCK ROBICHON/EPA

Autor
  • Bruno Horta
Mais sobre

As filmagens decorreram a 21 de janeiro, uma segunda-feira, no antigo Restaurante Panorâmico de Monsanto, em Lisboa. Começaram à tarde e terminaram perto das três da manhã. Estiveram presentes intérpretes da Orquestra de Batukadeiras de Portugal, o músico Dino D’Santiago e a fadista Fábia Rebordão. A equipa de Madonna tinha inúmeros elementos, incluindo estilista, maquilhadores e chef de cozinha. Este último cozinhou num espaço de “catering” especialmente montando naquele dia junto ao Panorâmico.

O relato foi feito nesta quinta-feira ao Observador por Telma Alfredo, produtora executiva da Krypton International. Trata-se de uma produtora de publicidade lisboeta com mais de três décadas e que desde há três anos tem um departamento de “service”, isto é, produz em Portugal trabalhos encomendados por produtoras estrangeiras. Foi este o caso, com a produção geral entregue à norte-americana Good Company.

Uma parte das imagens captadas foi entretanto revelada por Madonna num vídeo promocional (“teaser”) disponível no YouTube desde domingo e intitulado “Welcome to the World of Madame X”, que até esta quinta-feira tinha tido quase um milhão de visualizações naquela plataforma. O realizador foi Nuno Xico, português radicado em Nova Iorque. Os restantes segmentos, filmados noutros países, são assinados por Steven Klein, conhecido artista visual americano que colabora com Madonna desde há muitos anos.

[“teaser” do novo álbum de Madonna]

“Madame X” é precisamente o nome do muito aguardado novo disco da rainha da pop. O videoclip do primeiro single saiu na quarta-feira.

Sobre se as imagens gravadas em Monsanto vão entretanto ser utilizadas por Madonna em próximos videoclips do novo disco, Telma Alfredo não quis dar pormenores. Relatou a experiência de trabalho com a cantora e disse-se “muito satisfeita” pela oportunidade de ter trabalhado com aquela a que os próximos tratam apenas por M.

Madonna foi incrível, é muito educada e muito profissional, muito dedicada. Sabe o que diz, como diz, sabe o quer e como quer. Tem uma relação incrível com o Nuno, a comunicação deles flui naturalmente, há uma química criativa enorme porque falam a mesma linguagem”, detalhou Telma Alfredo. “Ela controla tudo, sabe os pormenores todos do que está a acontecer em Lisboa, em Nova Iorque, com as equipas todas. Tem uma energia incrível e mete a mão na massa, não delega. Claro que tem muita gente a trabalhar com ela, mas interessa-se, colabora, envolve-se no processo.”

Exemplo disso foi o facto de a artista ter ido a Monsanto a 20 de janeiro, dia anterior ao das filmagens, para se inteirar da “repérage” (pré-produção), acrescentou a produtora portuguesa.

Não é novo que Madonna tivesse estado em Monsanto. A artista publicou um vídeo no Instagram em janeiro com imagens desse momento e adicionou outro vídeo em fevereiro. O que é novo são os detalhes sobre o que exatamente ali aconteceu.

O Panorâmico de Monsanto é um miradouro em ruínas, muito utilizado pelos lisboetas, especialmente ao fim de semana. Foi inaugurado em 1968 e é propriedade da Câmara Municipal, estando devoluto há quase duas décadas. Foi restaurante, discoteca, bingo, armazém e espaço de escritórios. Situa-se junto ao Parque da Serafina, Estrada da Bela Vista, no alto do Parque Florestal de Monsanto, e conserva várias peças de arte pública, incluindo frescos e painéis cerâmicos dos artistas portugueses Manuela Madureira e Luís Dourdil.

Uma vez que se trata de um espaço público, a Câmara de Lisboa não o quis fechar para as filmagens. A Krypton contratou uma empresa privada de segurança para se assegurar de que o momento decorreria com discrição.

“Todas os profissionais sabiam que iam filmar com ela, mas não estavam autorizados a captar imagens. À entrada do ‘set’ estava uma pessoa só para recolher e guardar os telemóveis de toda a gente”, revelou a produtora. O objetivo foi o de evitar fugas de informações que pusessem em causa a estratégia promocional de Madonna, que tem passado por revelações periódicas de pormenores, pela própria, através das redes sociais e outras plataformas na internet.

No dizer de Telma Alfredo, tratou-se de uma “produção-relâmpago”, viabilizada graças à relação profissional e pessoal que tem com Nuno Xico. O realizador não se mostrou disponível para entrevistas.

Com a Madonna, é assim, está sempre tudo a acontecer. De repente, tem de ser nesta ou naquela data porque há uma série de outras condicionantes e tudo tem de encaixar. Tivemos pouco tempo para produzir, apresentei várias propostas de local ao Nuno e ele ficou logo interessado em Monsanto”, contou. “Tive luz verde numa sexta, fizemos a repérage num domingo e estávamos a filmar na segunda.”

Não foi uma produção milionária, disse Telma Alfredo, sem adiantar valores envolvidos. Foi a primeira vez que trabalhou com um nome de escala mundial, o que, acredita, poderá agora dar maior visibilidade à Krypton.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Trabalho

Ficção coletiva, diz Nadim /premium

Laurinda Alves

Começar reuniões a horas e aprender a dizer mais coisas em menos minutos é uma estratégia que permite inverter a tendência atual para ficarmos mais tempo do que é preciso no local de trabalho.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)