Hospital de Santa Maria

Doentes faltam 600 vezes por dia em Santa Maria e Pulido Valente

1.948

Mais de 135 mil consultas não foram realizadas porque os doentes faltaram no ano passado só no Centro Hospitalar Lisboa Norte, uma tendência que tem crescido nos últimos anos.

Tiago Petinga/LUSA

Mais de 135 mil consultas não foram realizadas porque os doentes faltaram no ano passado só no Centro Hospitalar Lisboa Norte, uma tendência que tem crescido nos últimos anos.

Dados do Centro Hospitalar que engloba o Santa Maria e o Pulido Valente, a que a agência Lusa teve acesso, mostram que as consultas não realizadas por falta do doente representam mais de 15% do total de 700 mil consultas feitas em 2018 naqueles hospitais.

Em média, por dia, o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) tem cerca de 600 consultas por dia que não são feitas porque os doentes não comparecem, se forem descontados os fins de semana, altura em que não há consultas externas.

Comparando, por exemplo, com as consultas não realizadas por motivo de greve em 2018 (um total de 2.262), as que não aconteceram por falta do doente são cinquenta vezes mais.

O presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar assume que é “um número muito elevado” o das consultas perdidas porque o doente não comparece e recorda que geralmente não há aviso prévio por parte do utente.

Em declarações à Lusa, Carlos Martins adianta que já foi criado dentro do CHULN um grupo para estudar esta questão e que deve, até ao final deste semestre, apresentar propostas para melhorar a forma de comunicação com os cidadãos.

O administrador reconhece que “nem sempre as falhas serão apenas do cidadão” e admite que seja necessário criar mecanismos mais eficazes de contacto para as consultas, de forma a que os utentes não se esqueçam da marcação, por exemplo.

“Vamos ter que repensar o nosso ‘contact center’ e a formação de recursos humanos para termos profissionais dedicados a esta missão de contacto”, acrescentou.

O sistema de aviso por mensagem telefónica ou por email são alguns dos exemplos de avisos aos utentes, mas Carlos Martins recorda que há uma população “com média etária elevada” e que o contacto telefónico não pode também ser esquecido.

O Centro Hospitalar acrescenta ainda que a partir da segunda falta sem aviso já não é remarcada automaticamente nova consulta.

Os dados das consultas a que os doentes faltaram mostram que nos últimos três anos houve uma tendência de subida e que as especialidades com mais faltas se mantêm as mesmas.

Dermatologia, psiquiatria e saúde mental, pediatria médica, oftalmologia e pneumologia são os cinco serviços com maior número de consultas não realizadas por falta dos doentes.

Os serviços que têm apresentado menor número de faltas dos doentes são a cirurgia cardiotorácica, a neonatologia, a cirurgia torácica, o serviço de medicina e a radioterapia.

Os números têm vindo a subir desde 2016, pelo menos. Entre 2016 e 2017 as consultas não realizadas por falta do doente no CHULN subiram 6% e entre 2017 e 2018 voltaram a crescer quase 3%.

Dados do primeiro trimestre deste ano, indicam que o peso de consultas não realizadas por ausência do doente permanece com um peso de 15,5%.

Nos primeiros três meses deste ano houve já mais de 34 mil consultas não realizadas por falta dos utentes nos hospitais Santa Maria e Pulido Valente, o que significa uma média diária de mais de 550 consultas não dadas.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)