É enorme a pressão sobre os fabricantes de automóveis para reduzir as emissões poluentes dos seus veículos. E faz sentido que as autoridades, especialmente as europeias, tenham começado por aqui, uma vez são os transportes rodoviários os maiores responsáveis pela poluição que afecta os habitantes nos grandes centros urbanos. Mas esta pressão, para reduzir a poluição, está a alargar-se ao transporte marítimo, com ênfase nos barcos destinados ao transporte de mercadorias, que são responsáveis pela emissão de 80% do dióxido de carbono (CO2) emitido por todas as embarcações.

Mas se o CO2 é responsável pelo efeito estufa, que provoca grandes alterações ambientais, não sendo em si um poluente, já o mesmo não acontece com os verdadeiros poluentes, das partículas aos óxidos de azoto (NOx), passando pelo enxofre, igualmente resultado da queima do gasóleo. Isto é tanto mais grave quanto a maior parte dos cargueiros e petroleiros recorre a enormes motores diesel a dois tempos, solução preferida por permitir reduzir os custos ao queimar combustível mais barato e de pior qualidade. Mas com consequências nefastas para o ambiente.

Conscientes desta realidade, os dinamarqueses resolveram começar a analisar o actual estado das “coisas”. Não o que os motores dos grandes navios emitem a trabalhar atracados ou a ritmo reduzido, quando se aproximam ou saem dos portos, mas sim quando se deslocam com carga máxima e em velocidade de cruzeiro. Para medir as emissões poluentes em trânsito, as autoridades portuárias da Dinamarca adquiriram um Remotely Piloted Aircraft System (RPAS), um drone com forma de helicóptero capaz de sobrevoar qualquer navio e analisar os gases libertados pelo seu motor.

7 fotos

O aparelho telecomandado, com 4 metros de comprimento e 235 kg de peso, é capaz de atingir 150 km/h e voar durante 5 horas até 3.000 metros de altitude, estando equipado com um sistema destinado a “cheirar” e a analisar os gases que saem das chaminés dos grandes navios. Foi concebido pela Agência Europeia de Segurança Marítima, para controlar as embarcações que se deslocam entre o Atlântico e o Mar Báltico.

Os drones (modelo Skeldar V-200) estão equipados com câmaras para registar tudo e identificar os navios, além de sensores específicos para detectar os óxidos de enxofre que os barcos (naquela região, são sobretudo cargueiros e grandes petroleiros) emitem em grandes quantidades.

A estratégia passa por os Skeldar V200 descolarem de um navio (militar, por exemplo), voarem 50 km, de forma a sair do raio de visão das embarcações a ser investigadas, e ao largo, longe de tudo, procederem às medições de enxofre, sem que a tripulação se aperceba do que está a acontecer. Com a particularidade destas “visitas” tanto poderem decorrer durante o dia como à noite, altura em que a detecção do pequeno e ágil aparelho será ainda mais difícil. Este tipo de drones participa igualmente na detecção de pesca ilegal, tráfico de droga e de imigrantes.