É bem conhecida a capacidade que os cães têm de conseguir regressar (quase) sempre à sua casa/dono. Muitas vezes, mesmo estando a várias centenas de quilómetros de distância, o seu olfato nunca os deixa ficar mal. E o que justifica tudo isto? Vários especialistas em comportamento animal atribuem a causa à hipersensibilidade que eles têm associada neste sentido.

A teoria apresentada pelo The New York Times explica que o cão cria uma espécie de mapa odorífero baseado em localizações específicas de sítios que concentram uma grande quantidade de cheiros — um supermercado, um jardim, por exemplo. A isso junta-se-lhe a capacidade impressionante de conseguirem encontrar o mais ténue vestígio do cheiro dos seus donos.

Os cães são especialmente sensíveis ao odor dos humanos, especialmente daqueles que fazem parte das suas vidas. Um estudo recente utilizou uma máquina de ressonância magnética para estudar a atividade uma zona do cérebro dos cães chamada de caudate nucleus, a área associada à expectativa de receber uma recompensa. Cães de raças diferentes foram expostos a cheiros de um cão conhecido, outro desconhecido, a um humano aleatório e a um outro com quem já houvesse alguma relação. E foi neste último caso que se registou a ativação cerebral mais forte.

Outra pista que pode explicar este método de navegação estará na ligação que estes animais têm com campos magnéticos. Um outro estudo feito com dezenas de cães descobriu que eles preferem quase sempre defecar com os seus corpos numa orientação norte-sul, critério que deixou de se registar quando foi criada uma perturbação magnética.

A história da rafeira Cathleen é um bom exemplo do quão impressionante pode ser esta capacidade de orientação dos cães. Quando os seus donos, um casal de idosos, se viram forçados a mudar de casa e cidade, a residência que encontraram em Seminole, no estado de Oklahoma (EUA), não permitia animais de estimação. Eles decidiram dar a cadela a um casal amigo, que vivia na cidade de Prague, também no mesmo estado mas a 35 quilómetros da cidade onde Cathleen morara com os seus donos.  As dificuldades na adaptação ao novo lar fizeram com que a cadela fugisse duas vezes e percorresse os 35 quilómetros até à sua casa antiga.

Do Reino Unido veio outro exemplo ainda mais impressionante deste “super-poder”. Pero, um cão com quatro anos que nasceu na vila galesa de Penrhyncoch, teve de ser enviado para outra cidade, Cockermouth, para trabalhar como guardador de ovelhas. Com saudades de casa, Pero fugiu das suas lides de pastor e percorreu quase 400 quilómetros para regressar à casa — e família — onde nascera.