Celebridades

Miroslava Duma. Quem é a influencer russa que aparece no relatório Mueller?

Descrita como "o contacto de Ivanka Trump na indústria da moda", o seu nome surge apenas uma vez nas 448 páginas, o suficiente para a "czarina da moda" de 34 anos dar que falar.

Num desfile Louis Vuitton, em Paris, em 2016. "Mira" não costuma falar uma semana de moda © Pascal Le Segretain/Getty Images

Getty Images

Chamam-lhe a czarina da moda, uma influencer cheia de estilo que nos últimos dias tem dominado as atenções porque o seu nome não passa despercebido nas 448 páginas do famoso relatório Mueller, divulgado na quinta-feira, sobre as suspeitas de conluio entre a campanha do atual Presidente dos Estados Unidos e a Rússia, em 2016. Tudo por causa da sua ligação com o vice primeiro-ministro Sergei Prikhodko, que em dezembro de 2015 terá pedido a Duma para fazer a ponte com Ivanka Trump e com o seu pai, Donald Trump, então candidato à Casa Branca, convidando-os a visitarem o Fórum Económico Mundial em São Petersburgo. Miroslava terá facilitado esse contacto, apesar de no fim de contas Trump ter recusado o convite, justificando a ausência com uma agenda demasiado cheia.

Mas, afinal quem é esta jovem e mediática figura, retratada pelo Bussiness of Fashion como uma “embaixadora de veludo” daquela região, e que de repente um repórter da Bloomberg, Kim Bahsin deixou debaixo de todos os holofotes?

Natural de Surgut, cidade na zona ocidental da Sibéria, Miroslava Duma cimentou o seu caminho como it girl na última década e atualmente é seguida no Instagram por 1.6 milhões de pessoas, que acompanham os momentos descontraídos com os filhos, as preocupações com o clima a partir de Davos, eventos glamorosos ao lado de grandes nomes da moda como a amiga Natalia Vodianova, e evocação de figuras como Lev Tolstoy, tudo para combater catalogações frívolas.

“Pessoalmente, sim, o rótulo de socialite chateia-me porque não podia estar mais distante da realidade”, comentou ao mesmo Bussiness of Fashion. “Nunca me veem a beber ou a dançar em festas da moda…Depois de todos os desfiles, apresentações, encontros e jantares e negócios, vou direita para o hotel deitar os meus filhos”, partilhou, sobre as frenéticas semanas da moda onde é presença assídua.

Aos 34 anos, “Mira”, a empreendedora digital gere um poderoso império de media e lifestyle, lançou a plataforma Buro247.com e é a fundadora e CEO da Future Tech Lab, a empresa focada na moda sustentável, nanotecnologias e têxteis inteligentes. E se à partida teria pouco a ver com as manobras de bastidores em Washington, as suas ligações ao poder estão longe de ser uma novidade. Filha de um antigo senador, Vasily Duma, é casada com Aleksey Mikheev, que trabalha para o Ministério da Indústria e Comércio russo, e a verdade é que ao longo do relatório consegue garantir mais relevo que a própria primeira-dama, Melania Trump.

Da cadeira de Allen Jones às acusações de racismo

Talvez a memória sobre Duma seja reavivada com alguns acontecimentos paralelos ao universo da moda, já que a instagrammer vai colecionado algumas controvérsias e, apesar dos looks cosmopolitas, há quem lhe reconheça um perfil excessivamente conservador. Em 2014, uma foto, na sua plataforma de moda, beleza e lifestyle, deu que falar quando foi exibida uma foto de Dasha Zhukova, mecenas, co-fundadora do Garage Museum e conhecida ainda por ter sido casada com o multimilionário Roman Abramovich. Dasha surgia sentada numa polémica cadeira de Allen Jones , que reproduzia uma mulher negra, e logo a imagem incendiou as redes, ao ponto de Mira se ter visto forçada a reenquadrar a fotografia, numa tentativa de cortar a discussão racial pela raiz.

No desfile Berluti Menswear outono-inverno 2018-2019, na Paris Fashion Week, em janeiro de 2018 © Pascal Le Segretain/Getty Images

No ano passado, a influencer que é descrita como “o contacto de Ivanka Trump na indústria da moda”, deu que falar um vídeo resgatado do baú de 2012 no qual surgia a fazer comentários homofóbicos sobre homens que vestem roupas femininas, incidindo em nomes como o influencer Bryanboy e o modelo transgénero Andreja Pejić. Viu-se também envolvida em mais uma onda de críticas e acusações de racismo, agora juntamente com a designer russa Ulyana Sergeenko, quando decidiu partilhar na sua conta pessoal uma cartão de agradecimento que fazia uso da palavra “niggas”, calão para pretos. Facto é que desde então, aquela que deu nas vistas como umas das princesas do street style, tem mantido distância do mundo da moda.

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