Foi em 2013 que o Porto ouviu falar pela primeira vez de Pedro Moura Bessa, um dos sócios do Munchie, a primeira casa na cidade onde os hambúrgueres eram reis e comiam-se à mão. O sucesso foi tão grande que os espaços multiplicaram-se e as filas à porta eram mais do que muitas. Antes disso, Pedro já tinha passado pelas cozinhas de restaurantes como a Casa de Pasto da Palmeira, na Foz, ou a Horta dos Reis, em Vila Nova de Gaia, deixando o curso de direito para trás por amor aos tachos.

Depois de três anos à frente do Munchie, Moura Bessa começou a fazer jantares de grupos privados até que no ano passado partiu para San Sebastián, para estudar cozinha na Basque Culinary Center. No seu projeto de final de curso defendeu um restaurante de comida saudável, refletindo sobre esse mesmo conceito, inspirando-se no panda. “Apesar de ser um animal omnívoro, alimenta-se de bambu e é por isso vegetariano. Passa a vida a comer e a dormir, é preto, branco e asiático, é um bocadinho de tudo e este restaurante também é isso, uma fusão de várias coisas”, explica o chef em entrevista ao Observador.

Natural do Porto, o chef Pedro Moura Bessa deixou o curso de direito para trás por amor à cozinha. (Foto: Ricardo Castelo)

O Panda, nome que batizou o seu primeiro restaurante próprio, é o “resultado de vários anos de maturação e de muitas ideias na cabeça”, onde os tacos mexicanos e os ceviches peruanos chegaram a ser uma opção, num projeto que deu “milhares de voltas”. “Toda a gente me pergunta ‘qual é o conceito?’ e isso irrita-me um bocadinho, parece que hoje em dia tudo tem de ter um conceito. Não há um conceito, é um restaurante de comida que pode ir variando, não estamos presos a nada.” Aqui o chef garante não seguir modas e servir apenas o que gosta e o que se identifica, “seja isso mais ou menos saudável”. “Tive muito tempo parado e sentia uma grande expetativa em mim e no que eu ia fazer no futuro. O risco é muito maior agora, afinal, é o meu primeiro projeto sozinho.”

Comida de conforto para partilhar

Com “milhares de pratos” na cabeça, Pedro confessa que o mais difícil foi sintetizar a carta e colocar no papel toda a sua identidade e irreverência. A aposta na comida equilibrada e de conforto foi uma das premissas do novo espaço, que pretende “servir um pouco de tudo”, das saladas de gambas ou rosbife aos pratos mais compostos e elaborados.

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Bacalhau confiado com açorda de ovas, massa com morcela e pera asiática, tártaro de atum, tabboulet de frango marinado em curcuma cozido a baixa temperatura, bochechas de porco com cogumelos, cenouras baby e molho blanquette, burrata, pimento assado e tomate cherry, carpaccio de rosbife com espinafres e maionese ou costelinhas barbecue com batatas fritas em palito e três molhos são alguns exemplos do que pode experimentar. A matéria-prima é local, a carne vem do Talho na Avenida, no Bonfim, e o peixe da lota de Matosinhos ou do Mercado de Angeiras. Como os doces não são a praia do chef, deixa-os para as mãos de quem sabe, a sua mãe. “Já no Munchie era ela que fazia a tarte de Snickers, hoje chegou uma de Twix, mas ainda não a provei”, conta. Além dos bolos gulosos, há pudim abade de priscos com gelado de tangerina e suspiros de cítricos com raspas de chocolate e regados com mel.

Ao almoço o Panda irá funcionar com pratos do dia, tendo opções de carne, peixe e vegetarianas, onde haverá uma base de hidratos, como massa, bulgur ou quinoa e depois a proteína para quem a desejar. Já ao jantar as sugestões da carta querem-se para partilhar e o preço médio começa nos 25€. O piso térreo conta com mesas altas e funcionará como bar com sumos e cocktails, para um aperitivo enquanto espera pela sua mesa ou para brindar após o jantar.

Um armazém de bicicletas que agora é uma selva

Com a venda do Munchie, Pedro Moura Bessa ficou com um espaço umas portas ao lado, o antigo armazém da loja mais antiga de bicicletas do Porto, a Velo Invicta Capas Peneda, fundada em 1944.

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A remodelação foi total, “do teto ao chão”, sendo que o objetivo era uma decoração exótica inspirada numa selva, onde o branco, as madeiras claras e os apontamentos verdes das plantas saltam mais à vista. A luz divide-se entre os candeeiros de palha e a luz natural que entra das portadas antigas, a loiça é minimalista e há pratos tribais distribuídos pelas paredes. Numa sala com 78 lugares sentados, o destaque vai para a mesa redonda comunitária com troncos de bambu no centro e para o peluche gigante de um panda ao cimo das escadas.

Em breve o restaurante terá direito a uma esplanada com vista para a Praça D. Filipa de Lencastre, morada onde o Munchie abriu pela primeira vez. “Fazia sentido ser aqui, foi onde tudo começou, voltar exatamente à mesma praça é ótimo. Esta zona tem perdido um bocadinho vida, espero que reanime.”

Terça a quinta, das 12h30 às 23h; sexta, sábado e domingo, das 12h30 às 02h.