A Nikola, que sempre se posicionou como a grande concorrente da Tesla no mundo dos camiões eléctricos, mais especificamente entre os tractores para semi-reboques, reservou dois dias para a apresentação da sua nova gama de veículos. E não faltam novidades, desde logo porque a companhia fez questão de apresentar (primeiro do que o seu adversário directo) a versão definitiva do seu Nikola Two.

Camiões eléctricos, mas não só a bateria

Com o início da produção previsto apenas para 2022, o que significa que surgirá no mercado depois do Semi da Tesla (e daí esta antecipação estratégica), o Nikola Two é um veículo pesado de Classe 8, ou seja, com mais de 16 toneladas. A estética aerodinâmica já era conhecida, pelo que os convidados presentes concentraram-se na potência dos motores e, sobretudo, na capacidade das baterias.

Os acumuladores vão estar disponíveis em três níveis distintos, com capacidades de 500 kWh, 750 kWh e 1000 kWh, ou seja, 10 vezes mais do que um Tesla Model S Long Range (o antigo 100D). Esta mais que generosa quantidade de baterias vai alimentar o motor com 1000 cv e 2711 Nm de torque. Valores muito superiores aos proporcionados pelos camiões com motor diesel. A Nikola prevê autonomias entre 500 a 750 milhas, ou seja, 805 a 1206 km (1279 km, se convertermos a norma americana EPA para a europeia WLTP.)

Além da versão convencional do Nikola Two, a bateria, a marca revelou também um Two alimentado por célula de hidrogénio. Aqui, a energia é produzida a bordo, com a fuel cell a recorrer aos 80 kg de hidrogénio transportado num tanque e juntando-o ao oxigénio presente no ar para produzir electricidade e água quente. Para esta versão, a Nikola garante o mesmo de tipo de especificações, tendo apenas que resolver a falta de uma rede de abastecimento eficaz de hidrogénio. Mas quando existir, esta solução tem enormes vantagens face às baterias, não só em peso, como igualmente em tempo de abastecimento/recarga.

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Se o Nikola Two era o camião já aguardado, a novidade foi o Nikola Tre (previsto para 2023), vocacionado para o mercado europeu. Com uma estética diferente, graças a uma frente mais direita – e menos aerodinâmica –, o Tre vai igualmente usufruir de alimentação por bateria (de 500 a 1000 kWh) ou hidrogénio (apenas 60 kg), apontando para autonomias de 483 km a 1206 km. São valores muito interessantes, especialmente tendo em conta que a versão a fuel cell tarda apenas 15 minutos a atestar de hidrogénio, sensivelmente o mesmo que os camiões a gasóleo necessitam para encher os grandes depósitos com um milhar de litros. Juntamente com o veículo, a Nikola lançou um leasing para a versão a hidrogénio – a grande aposta do fabricante, que lhe dará grande vantagem sobre a Tesla –, em que a milha sairá a 90 cêntimos do dólar, o que corresponde a 49,7 cêntimos do euro por quilómetro. O que a marca garante ser muito inferior aos custos exigidos pelos camiões diesel.

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Dois quads e uma moto de água

Os camiões podem ter sido os produtos mais apetecidos apresentados pela Nikola, mas não foram os mais curiosos. O destaque vai para uma moto de água, a Nikola Wav (de Water Activity Vehicle), que é similar às restantes do mercado, com dois lugares e movidas a jacto de água criado por um motor a gasolina. Mas, neste caso, o motor da Wav é eléctrico e alimentado por baterias transportadas a bordo, muito provavelmente no fundo do casco.

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Provavelmente mais interessante ainda são os dois veículos tipo quad, com espaço para quatro adultos. A versão militar, a Reckless ATV, que é facilmente distinguível por estar equipada com metralhadoras de grande calibre, possui obviamente tracção 4×4 e conta com uma potência de 598 cv, com os motores eléctricos a serem alimentados por uma bateria de 125 kWh. Vai de 0-97 km/h em apenas 4 segundos e tem uma autonomia de 150 milhas, isto é, 241 km.

A versão civil deste ATV é o Nikola NTZ OHV, que recorre ao mesmo chassi, motores, sistema 4×4 e bateria, mantendo inclusivamente a mesma autonomia e capacidade de aceleração. Perde, isso sim, as metralhadoras, substituindo-as por bancos mais confortáveis e portas. É proposto por 18.000 dólares, cerca de 16.000€, devendo a produção arrancar em 2021.

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