aqui lhe falámos de uma abordagem diferente aos veículos eléctricos, pela mão de uma quase desconhecida startup, a Sono Motors, que teve a ideia de fazer o primeiro EV cuja bateria poderia ser carregada ao sol, graças ao revestimento da carroçaria com 330 células fotovoltaicas, do tejadilho às laterais, passando pelo capot. O Sion, assim se chama o modelo, perdeu o estatuto de protótipo no início de Março, altura em que a companhia deu a conhecer a versão de produção.

Porém, não se sabia onde é que o eléctrico iria ser produzido, pois a Sono não dispõe de fábrica, apesar de se ter comprometido perante quase 10 mil clientes – que lhe adiantaram o dinheiro da reserva – não só que iria mesmo fabricar o carro, como não exigiria por ele um valor absurdo. A companhia sediada em Munique aponta para 25.500€, em troca de um veículo que não só pode oferecer custos zero de utilização, como também pode servir para fornecer energia à casa ou a outro carro, graças ao sistema de carga bidireccional, permitindo ainda ao seu proprietário pô-lo a render num esquema de partilha, por vir preparado de fábrica para o carsharing ou ridesharing.

Para tranquilizar os promitentes-compradores, a Sono Motors acaba de anunciar que chegou a acordo com a New Electric Vehicle Sweden (NEVS), construtor sueco de capitais chineses, que adquiriu a maioria dos activos da Saab quando a marca faliu, em 2011. Ora, é precisamente na unidade fabril de Trollhättan, de onde em tempos saíram os Saab, que o Sion vai começar a ser produzido a partir do segundo semestre do próximo ano.

Antes disso, a NEVS terá de proceder a algumas alterações, pois o contrato só foi firmado com o compromisso de o consórcio sino-sueco proceder às transformações necessárias para que a fábrica opere exclusivamente com recurso a energias renováveis – uma condição que, do ponto vista do marketing, fará maravilhas à imagem do Sion como veículo praticamente neutro em CO2, do fabrico à utilização.

De acordo com a Sono Motors, mal a produção atinja um ritmo regular, a NEVS assegurará a duplicação dos turnos, de modo a atingir uma produção anual de 43 mil unidades, a partir de 2021. Até 2028, a meta é produzir (e vender) 260 mil Sion.

Ainda assim, este “acordar” da antiga fábrica da Saab é algo lânguido, pois já quando a Saab estava em fase agonizante se falava numa capacidade instalada de produção na ordem das 120 mil unidades/ano. Todavia, esse potencial poderá ser aproveitado se a Sono cumprir aquilo a que se propôs: conceber novas variantes do Sion.