O tenente-coronel Luís Sequeira, chefe da Secção de Informações e Investigação Criminal da GNR do Algarve, foi constituído arguido no processo relativo ao furto de arma de guerra do paiol de Tancos. Segundo uma nota de imprensa divulgada esta quarta-feira pelo Ministério Público, o arguido foi ouvido terça-feira em primeiro interrogatório judicial e saiu em liberdade, embora suspenso de funções, e proibido de se ausentar do país.

O arguido foi indiciado pela prática dos crimes de associação criminosa, denegação de justiça e prevaricação e de falsificação de documento.

“O Ministério Público submeteu, esta terça-feira, a interrogatório judicial um arguido por factos praticados enquanto Chefe da Secção de Informações e Investigação Criminal, no âmbito do inquérito em que se investigam as circunstâncias em que ocorreu o furto de material de guerra no Paiol de Tancos”, lê-se no comunicado.

A investigação que se encontra em segredo de justiça tem, neste momento, um total, 21 arguidos.

Neste momento decorre no parlamento uma comissão de inquérito ao caso de Tancos e às eventuais responsabilidades políticas. Vários responsáveis têm sido chamados a depor e o responsável, à data do furto, pela investigação criminal da GNR de Loulé foi um deles. Em finais de março, o oficial contou aos deputados que era o responsável da investigação criminal de Loulé quando a Polícia Judiciária Militar lhe pediu colaboração para uma operação de recuperação de material furtado.

Apesar de a guerra entre PJ civil e PJ militar na condução da investigação ao furto ter sido tornada pública, o militar da GNR garante que desconhecia que o Ministério Público tinha entregue o caso à primeira. “Não me recordo em concreto, mas que eu tenha recebido alguma informação, não. O que pudesse haver era dos órgãos de comunicação social. Não me pareceu estranho que aquele processo estivesse com a Polícia Judiciária Militar”, garantiu.

“Houve essa autorização para que o NIC (Núcleo de Investigação Criminal) apoiasse a PJM, alguma informação que colhessem que passassem para a PJM. Sendo certo que eu tinha um conhecimento apenas genérico porque eu não acompanhei no terreno a investigação”, declarou. E que esse pedido surgiu porque havia um militar daquele posto que tinha contactos com um indivíduo que teria informações sobre o furto, referindo-se a Fechaduras.  Uma informação diferente da prestada pelo major Brazão, que chegou a ser porta-voz da PJM, e que disse que havia ligação entre um militar daquela zona e a PJM e daí o pedido de ajuda.

Os argumentos na comissão de inquérito terão sido passados a pente fino pelos investigadores responsável pelo caso e o militar acabou por ser constituído arguido, cerca de um mês depois, precisamente pelos crimes denegação de justiça e prevaricação e de falsificação de documento, suspeitando-se assim que possa ter adulterado documentos para corroborar a informação que prestou.