Era o encontro de duas equipas que tiveram uma Páscoa pouco doce. Se o Wolverhampton de Nuno Espírito Santo empatou em casa com o Brighton no fim de semana, o Arsenal recebeu o Crystal Palace no Emirates e não conseguiu evitar uma derrota perante a equipa de Roy Hodgson. O conjunto mais português da Premier League caiu na classificação e aterrou no 10.º lugar, os gunners não capitalizaram em motivação a passagem às meias-finais da Liga Europa e perderam a quarta posição da tabela, a última que dá acesso à Liga dos Campeões. Depois de uma época festiva pouco feliz, Wolves e Arsenal encontravam-se no Molineux para colocar em dia uma jornada atrasada da Liga inglesa. 

Nuno Espírito Santo começava com Moutinho e Rúben Neves no meio-campo — e Diogo Jota a fazer dupla com Raúl Jiménez no ataque — e Unai Emery lançava novamente Lacazette no onze inicial, já que Aubameyang estava indisponível por ter sido operado ao nariz, e fazia sete alterações face à equipa que perdeu com o Crystal Palace (só sobravam mesmo o avançado francês, Özil, Leno e Koscielny). O treinador do Arsenal não resistia a fazer o quase inevitável depois de uma derrota e procurava a revolução frente ao Wolves, uma equipa que fosse mais aquilo que mostrou em Nápoles a meio da semana passada e menos aquilo que deixou em campo no sábado com o Palace. Porém, mudar peão por peão, como o tempo e o Wolves acabaram por mostrar, não é suficiente.

As estatísticas estavam mais do que a favor do Arsenal: há nove jogos consecutivos para a Premier League que os Wolves não venciam a equipa londrina, mais partidas do que a equipa de Nuno Espírito Santo alguma vez passou sem vencer um adversário específico. Uma vitória esta quarta-feira, mais do que importante nas ambições dos foxes no que toca ao top 10 da Liga inglesa, significava o enterrar de uma quase maldição. Rúben Neves, com o pé direito que já habituou o Molineux a maravilhas, deu início ao exorcismo de que o Wolves precisava.

O médio português assinou mais um grande golo de livre direto e inaugurou o marcador (28′), tornando-se o terceiro jogador das quatro primeiras Ligas inglesas com mais golos marcados de fora de área (oito, atrás dos nove de Harry Wilson e dos 10 de Charlie Mulgrew). Matt Doherty fez o segundo (37′), já depois de Rúben Neves ficar muito perto de bisar novamente de livre, e Diogo Jota deixou mais uma marca portuguesa no encontro, ao fazer o terceiro já no segundo minuto de tempo extra. Tudo somado e perante um Arsenal chocado e sem reação, o Wolves ia para o intervalo a ganhar um jogo da Premier League por três golos pela primeira vez.

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Na segunda parte, a equipa de Nuno Espírito Santo chegou a estar perto do quarto golo que levaria o resultado para números escandalosos — Jonny Castro assistiu Raúl Jiménez mas o mexicano atirou ao lado — mas acabou por ser o central Sokratis a reduzir de cabeça, num golo solitário que não chegou para inverter o marcador. Nove jogos depois, o Wolves voltou a vencer o Arsenal para a Premier League e regressou ao sétimo lugar da tabela que o coloca enquanto melhor classificado para lá dos big six ingleses (tudo isto, diga-se, na primeira temporada de regresso ao principal escalão do futebol inglês). Já os gunners de Unai Emery saem do Molineux no mesmo lugar, beneficiando da derrota do Manchester United perante o City, mas a confirmar o momento menos bom que começou no sábado com o Crystal Palace.

Num jogo onde a vitória do Wolverhampton voltou a ter, de forma inevitável, uma marca de água portuguesa, a equipa de Nuno Espírito Santo viu o Molineux receber a melhor assistência da temporada, com mais de 31 mil pessoas nas bancadas. Numa altura em que faltam três jornadas para o final da Premier League, o Wolves está numa posição mais do que confortável, Espírito Santo tem o lugar mais do que assegurado e Moutinho, Neves, Jota, Patrício e companhia são a espinha dorsal de uma equipa que na próxima temporada pode, de forma natural, manter-se no top 10 da inglesa.