Supertaça, Taça de Portugal, Campeonato. No culminar de uma época de sonho no voleibol, o Benfica venceu esta quinta-feira o Sporting por 3-1 em Alvalade no jogo 4 da final e garantiu a reconquista do título que tinha sido “desviado” na temporada passada pelo velho rival, curiosamente no ano em que regressou à modalidade após mais de duas décadas de ausência. Contas feitas, e em 50 jogos realizados, os encarnados somaram um total de 47 vitórias, perdendo apenas dois jogos no Campeonato (Fonte Bastardo na fase regular, Sporting no playoff) e um nos quartos da Taça Challenge, diante dos russos do Belgorod.

O que mudou? Por um lado, o Benfica acertou no mercado, com quatro contratações cirúrgicas (ao contrário dos leões, que mudaram mais de metade do plantel) – o regresso de Raphael Oliveira, zona 4 que voltou à Luz após passagem pela Turquia; a aposta no experiente brasileiro Théo Lopes, oposto brasileiro que estava na Liga argentina; o reforço da zona central com o austríaco Peter Wohlfahrtstätter, ex-Tourcoing (França); e a experiência de Nuno Pinheiro, distribuidor que jogava agora em França e que ajudou também na boa época de Tiago Violas. Por outro, tão ou mais importante, o trabalho do brasileiro Marcel Matz, que rendeu José Jardim no comando técnico e que, apesar dos 38 anos, chegou, viu e venceu apesar de ser apenas o segundo ano como treinador principal (em 2018 estava no APAV Canoas) após muitas épocas como adjunto.

Em paralelo, as águias conseguiram também quebrar por mais do que uma vez a regra do fator casa: na última época, em oito dérbis entre Campeonato e Taça de Portugal, apenas por uma vez houve vitória do rival no pavilhão adversário (Sporting, 3-2 na Luz para a fase regular); esta temporada, em cinco encontros, tinha havido também uma única quebra, com os encarnados a vencerem em Alvalade na fase regular na “negra”. Agora, e na terceira partida frente ao Sporting como visitante, o Benfica alcançou o segundo triunfo. E com isso carimbou o oitavo Campeonato da história, igualando o registo do Leixões e somando o quinto triunfo nos últimos sete anos, altura em que conseguiu travar o domínio do Sp. Espinho (18 títulos).

O primeiro set começou com grande equilíbrio, sendo necessário esperar até ao 11-9 num grande serviço de Jordan Richards (um jogador que só agora está a aparecer na equipa leonina mas que tem sido um grande contributo na final) para se registar uma vantagem de dois pontos de alguma das equipas. A partir desse momento, a maior consistência do Sporting no serviço e na receção – em especial os líberos Hugo Ribeiro e João Fidalgo, além de Roberto Reis –, aliado a várias ações do bloco, conseguiu aumentar a distância para quatro pontos na parte final (19-15). O Benfica continuava a tentar encontrar-se mas alguns erros de receção e serviços falhados comprometeram as hipóteses de recuperação, num parcial que fechou em 25-19.

A paragem fez bem aos encarnados, que voltaram melhor ao jogo e conseguiram mesmo uma vantagem de três pontos na altura em que tinham uma rotação com Winters, Zelão e Theo Lopes no bloco (7-4). No entanto, os serviços de Jason Richards mais em potência e Hélio Sanches em “andorinha” foram causando mossa na receção contrária, com os leões a saltarem para a frente e a ganharem de novo a confiança com que abordaram o parcial inicial. Reinou depois o equilíbrio até Theo Lopes chegar ao serviço e praticamente ganhar sozinho o segundo set, com três pontos consecutivos que passaram o marcador de 23-22 para o Sporting para 25-23 para o Benfica, fechando com um raro erro de Miguel Maia na distribuição (dois toques).

Depois das indicações dos dois primeiros sets, as duas equipas percebiam bem a importância do terceiro parcial para a decisão do encontro, bem espelhada na alternância de marcador que se foi registando até ao 11-10 para o Sporting, altura em que o Benfica conseguiu disparar no serviço tático de Tiago Violas para uma vantagem de quatro pontos (15-11) na fase menos conseguida da formação de Hugo Silva, incapaz de superar o bloco encarnado apesar das várias combinações tentadas. Os leões ainda travaram esse avanço, lançaram em campo Leonel Marshall e Mirko Bojic, mas o conjunto de Marcel Matz estava na mó de cima e quase sentenciou um set que terminaria com 25-16 quando Violas conseguiu um bloco 1×1 frente ao montenegrino (20-14).

No quarto set, que seria o último do jogo, da final e do Campeonato, o Sporting até começou melhor, chegando ao 8-6 com um grande bloco de Miguel Maia, mas acabou por quebrar após uma interrupção na partida devido ao lançamento de objetos por parte dos adeptos encarnados para os suplentes verde e brancos, que criou alguma tensão no Pavilhão João Rocha. Aproveitando os erros contrários, com um serviço mais agressivo e uma receção eficaz, o Benfica venceu por 25-19, reconquistando o título no mesmo palco onde tinha perdido no ano passado, numa emocionante final decidida nas vantagens da “negra”.