A Comissão Europeia recomendou esta quinta-feira ao Governo italiano que dirija aos Estados-membros, e não a Bruxelas, o seu pedido de preparação de um plano de emergência para um eventual aumento do fluxo de migrantes desde a Líbia.

“Evidentemente, vamos responder a essa carta, mas convém recordar que a Comissão Europeia não é o obstáculo para encontrar o melhor equilíbrio entre solidariedade e responsabilidade no âmbito da gestão das migrações, pelo que talvez fosse melhor [o Governo italiano] endereçar essa carta aos Estados-membros”, referiu a porta-voz do executivo comunitário.

Mina Andreeva, que falava na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia em Bruxelas, referia-se à carta na qual o Governo italiano insta Bruxelas a estar preparada para um eventual aumento do fluxo de migrantes desde a Líbia, causado pelo recrudescimento da tensão naquele país.

O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Enzo Moavero Milanesi, revelou na quarta-feira ter escrito ao executivo comunitário para que estivesse preparado a agir “caso se verifiquem fluxos consistentes e imprevistos de imigrantes desde a Líbia”.

O Governo italiano está apreensivo devido ao aumento das hostilidades naquele país norte-africano, onde pelo menos 264 pessoas morreram e 1.266 ficaram feridas desde o início da ofensiva do Exército Nacional Líbio do marechal Khalifa Haftar para conquistar Tripoli, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os combates provocaram 35.000 deslocados e “o movimento continua a um ritmo crescente a cada dia”, alertou Maria do Valle Ribeiro, representante adjunta da ONU na Líbia, na segunda-feira.

A Líbia tem sido vítima do caos e da guerra civil desde que, em 2011, a comunidade internacional contribuiu militarmente para a vitória dos diferentes grupos rebeldes sobre a ditadura de Muammar Khadafi (entre 1969 e 2011).

Os combates opõem as forças do Governo de Acordo Nacional, reconhecido pela comunidade internacional, ao Exército Nacional Líbio proclamado pelo marechal Khalifa Haftar, homem forte do leste líbio que quer ocupar a capital do país e que ordenou, em 04 de abril, a conquista de Tripoli.

A Itália tem sido particularmente ‘afetada’ pelo conflito na Líbia, uma vez que a maior parte dos migrantes que chegaram a território italiano nos últimos anos através da rota do Mediterrâneo central partiram da costa daquele país.

Para diminuir o fluxo de migrantes, Roma celebrou acordos com Tripoli. Em 16 de abril, o chefe do governo de união nacional líbio, Fayez al Serraj, advertiu que, segundo os seus cálculos, cerca de 800.000 pessoas, entre imigrantes e cidadãos líbios, poderiam querer ir para Itália, dada a violência naquele país.