Moçambique

HRW pede investigação urgente a Moçambique sobre sexo forçado em troca de comida

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A Human Rights Watch instou as autoridades de Moçambique a investigarem com urgência os relatos sobre sexo forçado de vítimas do ciclone Idai por líderes locais, em troca de comida.

ANDRÉ CATUEIRA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

A organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch (HRW) instou esta quinta-feira as autoridades de Moçambique a investigarem com urgência os relatos sobre sexo forçado de vítimas do ciclone Idai por líderes locais, em troca de comida.

Num comunicado intitulado de “Moçambique: vítimas do ciclone forçadas a trocar sexo por comida – Líderes comunitários exploram mulheres vulneráveis”, a HRW garantiu que vítimas, residentes e trabalhadores humanitários disseram àquela organização que “líderes comunitários locais (…) exigiram dinheiro das pessoas afetadas pelo ciclone em troca da inclusão dos seus nomes na lista de distribuição de ajuda”.

“Em alguns casos, mulheres sem dinheiro eram coagidas a fazer sexo com líderes locais em troca de uma bolsa de arroz”, pode ler-se na mesma nota.

“A exploração sexual de mulheres que lutam para alimentar suas famílias após o ciclone Idai é revoltante e cruel e deve ser interrompida imediatamente”, disse o diretor da HRW na África Austral, Dewa Mavhinga.

As autoridades devem investigar prontamente as denúncias de mulheres coagidas a trocar sexo por comida e punir apropriadamente qualquer pessoa que use a sua posição de poder para explorar e abusar de mulheres”, acrescentou Mavhinga, citado no comunicado.

O ciclone Idai, que atingiu o centro de Moçambique a 14 de março, causou um total de 603 vítimas mortais, tendo afetado mais de 1,5 milhões de pessoas.

Trabalhadores humanitários citados pela HRW denunciaram o facto de as listas de distribuição de alimentos excluírem famílias chefiadas por mulheres e a existência de relatos de abuso sexual de mulheres, não apenas nas suas aldeias, mas também em campos para deslocados.

Responsáveis daquela ONG, em 18 de abril, falaram por telefone com três mulheres na cidade de Mbimbir, distrito de Nhamatanda, onde a ajuda humanitária não chegou até 05 de abril porque as inundações tinham deixado a área inacessível por estrada.

“Todas as três disseram que as autoridades locais as coagiram a trocar sexo por ajuda alimentar”, denunciou a HRW.

A 22 de abril, elementos da mesma ONG conversaram com duas jovens do distrito de Nhamatanda que alegaram que um líder local de Tica as coagiu a terem sexo em troca para que os nomes fossem adicionados à lista de distribuição.

Relatos que levam a ONG a defender que “o Governo moçambicano deve urgentemente adotar medidas para prevenir a exploração sexual e abuso de vítimas do ciclone e criar um ambiente no qual as mulheres possam denunciar os abusos”.

Por outro lado, sustentou a HRW, “os parceiros internacionais, particularmente a ONU, devem garantir maior supervisão da conduta das autoridades locais durante a distribuição da ajuda humanitária”.

A vice-ministra do Interior de Moçambique afirmou na quarta-feira que o Governo está atento a um eventual aumento da criminalidade após o ciclone Idai, mas que tal não se registou, e disse desconhecer violações em troca de ajuda humanitária.

Questionada sobre a existência de casos de mulheres obrigadas a ter sexo em troca de ajuda humanitária, Helena Mateus Khida disse não ter qualquer conhecimento da situação, mas que a mesma irá ser averiguada.

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