Rússia-Ucrânia

Putin pronto para “restabelecer completamente” relações com a Ucrânia

A União Europeia pede ao presidente russo, Vladimir Putin, que respeite a independência da Ucrânia, após o país ter criado uma lei que agiliza os pedidos de cidadania russa por ucranianos.

O Presidente russo, Vladimir Putin.

SERGEI ILNITSKY / POOL/EPA

O Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou-se esta quinta-feira pronto para “restabelecer completamente” as relações com a Ucrânia, após a eleição de Volodymyr Zelensky para a chefia do estado ucraniano, desde que tal não aconteça “unilateralmente”.

“Queremos e estamos prontos a restabelecer completamente as nossas relações com a Ucrânia, mas não o podemos fazer unilateralmente”, disse Putin em declarações aos jornalistas em Vladivostoque, onde participou numa cimeira com o líder norte-coreano, Kim Jong Un.

O ator e humorista Volodymyr Zelensky venceu no passado domingo, com mais de 70% dos votos, a segunda volta das eleições presidenciais na Ucrânia, tendo prometido no seu primeiro discurso “relançar” o processo de paz no leste da Ucrânia, onde o conflito com os separatistas pró-russos provocou mais de 13.000 mortos desde 2014.

União Europeia apoia independência da Ucrânia

A União Europeia (UE) manifestou, no entanto, esta quinta-feira “apoio firme” à independência da Ucrânia, pedindo à Rússia que a respeite, após o país ter criado uma lei que agiliza os pedidos de cidadania russa por ucranianos em áreas dominadas por separatistas. “A UE continua firme no seu apoio à independência, soberania e integridade territorial da Ucrânia”, salienta a porta-voz da UE para a política externa, Maja Kocijancic, numa nota hoje divulgada.

Recordando os protocolos internacionais que levaram ao fim dos confrontos em larga escala no Leste da Ucrânia entre forças do país e separatistas pró-russos, a responsável afirma esperar que “a Rússia se abstenha de ações que são contra os acordos de Minsk e [que] impedem a plena reintegração de áreas não controladas pelo governo na Ucrânia”.

Todas as partes devem cumprir, na totalidade, os compromissos assumidos nos acordos de Minsk”, avisa Maja Kocijancic.

Em causa está um decreto assinado na quarta-feira pelo Presidente da Rússia, Vladimir Putin, que pode destruir a esperança de paz na região. “O momento de tal decisão, imediatamente após a eleição presidencial na Ucrânia – que demonstrou o forte apreço da Ucrânia pela democracia e pelo Estado de direito – mostra a intenção da Rússia de desestabilizar ainda mais a Ucrânia e agravar o conflito”, lamenta a responsável.

O decreto publicado na quarta-feira no portal do Kremlin na Internet indicava que os ucranianos que vivem nas regiões do Leste, em Donetsk e Luhansk, com forte implantação de movimentos separatistas, poderão ver os seus pedidos de cidadania russa tratados em menos de três meses.

As especulações sobre esta decisão ensombraram toda a campanha eleitoral para as Presidenciais ucranianas, que decorreram no domingo passado, mas tudo indicava que o Kremlin apenas a aplicasse se o líder incumbente, Petro Poroshenko, tivesse vencido.

Contudo, Poroshenko foi derrotado pelo comediante de televisão Volodymyr Zelensky, que deverá ser empossado no próximo mês e que tinha anunciado como uma das suas prioridades para o seu mandato acabar com a guerra com a Rússia, que já matou mais de 15 mil pessoas.

Também a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, reagiu esta quinta-feira, considerando que este acesso a passaportes é um  “novo ataque à soberania da Ucrânia pela Rússia”.

A posição da União Europeia segue a opinião manifestada anteriormente pela Alemanha e pela França, copatrocinadores do processo de paz na Ucrânia.

Com a França, condenamos o decreto russo que deve facilitar a concessão da cidadania russa à população de uma parte do Leste da Ucrânia”, disse o Ministério dos Assuntos Estrangeiros da Alemanha, num comunicado, destacando que “essas regiões fazem parte do território nacional ucraniano”.

“É o oposto do que precisamos urgentemente para contribuir para a diminuição” do conflito, afirmou o Governo alemão, salientando que “o anúncio da Rússia está em contradição com o espírito e os objetivos dos acordos de Minsk”, que pretendem contribuir para a paz no Leste da Ucrânia.

O Presidente russo, Vladimir Putin, simplificou na quarta-feira o acesso da nacionalidade russa aos habitantes da região separatista da Ucrânia, uma medida denunciada por Kiev e pelo novo presidente, Volodymyr Zelensky, que pediu um reforço das sanções contra Moscovo.

Segundo este decreto, cuja entrada em vigor é “imediata”, um processo simplificado permitirá receber um passaporte russo, “em três meses” após o pedido, aos habitantes das regiões ucranianas de Donetsk e de Lougansk, onde uma guerra entre os separatistas pró-russos e as forças ucranianas causou cerca de 13.000 mortos em cinco anos.

O decreto prevê que apenas estão abrangidos os habitantes “de certas partes” das duas regiões ucranianas, sem mais de detalhes, compreendendo as autoproclamadas Repúblicas de Donetsk (DNR) e Lugansk (LNR), regiões rebeldes pró-russas que fogem ao controle da Ucrânia.

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