Sri Lanka

A grávida suicida, o rei das especiarias e o dilema de um pai. As novas histórias dos atentados no Sri Lanka

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No rescaldo dos atentados no Sri Lanka, vão surgindo novos detalhes sobre agressores e vítimas. Fátima não hesitou em matar-se e aos três filhos. Matthew não conseguiu salvar Amelie nem Daniel.

M.A. PUSHPA KUMARA/EPA

Era casada com Imsath Ibrahim, um dos terroristas que atacou no hotel Shangri-La, no Sri Lanka, na manhã do domingo de Páscoa. Grávida, mãe de três filhos, não hesitou em detonar os explosivos quando a polícia visitou a sua casa nessa mesma tarde, em Dematagoda, um bairro de moradias em Colombo, a capital do país.

Segundo informa o portal de notícias indiano Firstpots, citado pelo diário espanhol ABC, no segundo andar da casa de família encontravam-se várias bombas prontas a explodir mal as autoridades chegassem. Ao imolar-se, Fatima provocou ainda a morte a três agentes. Sem certezas, o jornal refere ainda que Fatima poderá ser uma das pessoas que aparece no vídeo divulgado pelo Daesh, através do qual reinvindicou os atentados, surgindo junto ao marido, de 33 anos.

Fatima é nora de Mohammad Yusuf Ibrahim, um dos principais suspeitos de ter organizado os ataques, pai de dois bombistas e que foi detido pelas autoridades. Ibrahim fez fortuna a partir da venda de especiarias. Sobretudo das pimentas branca e preta. Tornou-se rapidamente um dos empresários mais conceituados do Sri Lanka tendo chegado a ser distinguido pelo Chefe de Estado por “ter prestado serviços notáveis à nação“. Foi por isso com alguma surpresa que o país recebeu a notícia da sua detenção na sequência dos atentados que vitimaram 359 pessoas no domingo de Páscoa.

A investigação acredita que Mohammad Yusuf Ibrahim esteve diretamente envolvido na organização dos ataques a igrejas católicas e a hotéis na ilha numa das mais importantes datas do calendário cristão. O “rei das especiarias” terá convencido dois dos seus filhos a fazerem parte dos atentados de forma direta. Como? Sendo dois dos bombistas suicidas que iriam perpetrar os ataques.

As autoridades indianas confirmaram entretanto que dois dos filhos do empresário, que foram identificados nos meios de comunicação social indianos como Imsath e Ilham, estavam entre os oito homens-bomba que atacaram hotéis e igrejas em toda a ilha. O Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pelo ataque. Mas as autoridades que investigam os ataques acreditam que a colaboração de Mohammad Yusuf Ibrahim terá sido fundamental para levar avante o plano.

Depois dos atentados de domingo de Páscoa no Sri Lanka, e de alguma reserva inicial em divulgar a identidade dos bombistas suicidas, as autoridades acabaram por ser revelar alguns detalhes sobre os terroristas, nomeadamente as informações relativas às suas origens. “Financeiramente, são bastante independentes e as suas famílias são financeiramente estáveis. Isto é um facto preocupante ”, disse o ministro da Defesa do país, Ruwan Wijewardene. “Alguns deles estudaram inclusive noutros países. Muitos são licenciados e todos eles receberam uma boa educação”, acrescentou.

O pai que teve de escolher entre dois filhos

O ABC recupera ainda a história do ex-banqueiro de Nova Iorque a quem os acontecimentos exigiram uma das decisões mais difíceis para um pai: escolher entre socorrer primeiro um filho ou outro. Matthew Linsey, de 61 anos, encontrava-se de férias com a sua família no mesmo hotel Shangri-La quando o pior aconteceu. As explosões deixaram a filha Amelie, de 15 anos, e Daniel, de 19, inconscientes e gravemente feridos.

Foi ao The Times que recordou como fez de tudo para alcançar os filhos entre os escombros. Linsey disse que acreditava, perante o cenário que encontrou, que a filha se encontrava melhor, pelo que agarrou no filho na esperança de convocar a atenção dos médicos, tentando reanimá-lo. “Uma senhora disse-me que levaria a minha filha. Deixei o meu filho numa ambulância e levámo-lo para o hospital. Gritei: por favor ajudem o meu filho! Pensei que a minha filha estava melhor. Não pude encontrá-la porque estava com o meu filho”, descreveu o norte-americano.

Amelie e Daniel acabariam por fazer parte dos quatro mortos confirmados entre os cidadãos dos EUA.

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