A criança alemã foi encontrada na floresta a quatro quilómetros da caverna em Adeje, em Tenerife, nas ilhas Canárias, onde estavam os cadáveres do irmão de dez anos e da mãe. O rapaz de cinco anos correu, assustado, depois de, segundo contou, ver o pai, Thomas Handrick, matar a mãe e o irmão.

O que aconteceu na caverna?

Adeje era a cidade onde o pai estava a viver. O rapaz de cinco anos, o irmão mais velho e a mãe foram visitá-lo. Chegaram da Alemanha no dia 23 de abril, e o pai levou-os a caminhar pela floresta  acabando por entrar numa gruta nas proximidades com o argumento de que “tinha prendas da Páscoa escondidas na caverna”. Uma vez lá dentro, atacou-os, e de acordo com fontes próximas da investigação policial citadas pelo ABC, o ataque foi de extrema violência, com golpes na boca, chegando a partir os dentes de uma das vítimas.

O rapaz mais novo conseguiu fugir e correr pela floresta durante algum tempo. Depois de ter sido encontrado por um habitante de Adeje, o rapaz ficou em silêncio e em choque  — ninguém conseguia que relatasse o sucedido.  A situação ficou ainda mais complicada depois de se perceber que não sabia falar espanhol. Para poderem ouvir o rapaz, tiveram de localizar alguém que dominasse o alemão. Algo que não foi um problema, tendo em conta que existem muitos estrangeiros — incluindo alemães — que escolhem Adeje para o seu local de residência.

O homem que terá cometido o crime

Thomas Handrick tem 43 anos e é de Traunstein, uma cidade localizada na região da Alta Baviera, Alemanha. Vivia agora em Adeje, depois de se ter separado da mulher (ainda não estavam formalmente divorciados e os filhos vinham com ela visitá-lo algumas vezes). Começou a trabalhar como chef na ilha de Tenerife, e procurou na altura um apartamento perto do centro da cidade.

“Ele não está a colaborar. Diz que foi passear e que não sabe de nada”, explicam fontes da investigação ao El Espanol. Apesar disso, ao final do dia, acabou por admitir que discutira com a mulher.

Quando foi encontrado, Thomas Handrick encontrava-se a dormir na sua casa. Recusou-se a ajudar na localização dos cadáveres.

A investigação

Todo o discurso feito pelo rapaz de 5 anos foi crucial para encontrar os outros membros da sua família. Um dia depois de ter sido denunciado o desaparecimento de Sílvia, que tinha 39 anos, e do filho mais velho, a Guarda Civil e outras autoridades passaram o dia a procurá-los. Mais tarde, acabaram por os encontrar dentro de uma das cavernas que estão localizadas na área rural da Quinta de Ifonche.

Mas foi muito complicado conseguirem encontrar os cadáveres. O rapaz falava pouco, gaguejava, e mencionava apenas uma caverna, da qual tinha fugido. A localização também não facilitou: havia muito nevoeiro, e uma grande quantidade de grutas. As buscas incluíram cães especializados em desaparecimentos e todo o tipo de ajuda terrestre e aérea. A Guarda Civil de Tenerife chegou a entrar em contacto com a Unidade Central de Operação da Guarda Civil, que se tem especializado em situações de pessoas desaparecidas.

Entretanto, um voluntário encontrou a caverna que o rapaz referia. “Se não fosse por ele, não tínhamos encontrado a caverna durante semanas”, afirmou um agente da investigação ao ABC. Depois de serem encontrados os cadáveres, deixou de ser necessário o reforço por parte dos agentes de Madrid que já estariam prontos para iniciarem a viagem até às ilhas Canárias.

De acordo com as investigações preliminares, a mulher foi morta em primeiro lugar, e depois a criança mais velha.

O caso está a ser tratado como um crime de violência de género. A investigação está a ser feita pelo Tribunal contra a violência das mulheres de Arona. Os avós maternos do rapaz, contactados através do consulado alemão, já estão a viajar para Tenerife, para se encontrarem com ele.

Ainda assim, a criança pode não regressar imediatamente à Alemanha. Uma representante do governo das Canárias, Cristina Valido, disse à BBC que ainda que queiram “deixar o rapaz regressar para a sua família e o seu país o mais rápido possível, ele testemunhou uma atrocidade, e provavelmente vai ser o juiz a decidir se pode ir para casa”.