Portugal tem mais de 3.500 ruas e outros locais públicos relacionados com o 25 de Abril, segundo um mapa interativo esta sexta-feira apresentado pelo Museu Nacional da Imprensa.

Ao todo, segundo a iniciativa Ruas de Abril, disponível a partir de agora na página do Museu são 3.537 ruas, praças, avenidas, bairros e outros locais, todos “visitáveis” através do mapa interativo da aplicação.

O sistema, desenvolvido em parceria com o Instituto Multimédia e que tem o apoio da Associação 25 de Abril, permite que se percorra todo o país através de topónimos relacionados com a revolução dos cravos.

Segundo um comunicado do Museu distribuído após a apresentação, citando o diretor, Luiz Humberto Marcos, cerca de 93% dos concelhos do país têm topónimos relacionados com o 25 de Abril.

Segundo a lista, é precisamente “25 de abril”, a par de “1.º de Maio”, o que mais se usa para dar nome a ruas (e outras vias) do país. Em terceiro lugar surge o nome de Humberto Delgado, um militar que se distinguiu como opositor do Estado Novo, o regime derrubado pela revolução de há 45 anos.

Salgueiro Maia, um dos capitães do movimento que derrubou o antigo regime, em 1974, dá também nome a muitas ruas de todo o país. Em Valongo, distrito do Porto, é-se mesmo mais preciso: Rua Fernando José Salgueiro Maia.

Dos nomes relacionados com a revolução e que também são muito escolhidos figuram ainda José Afonso, músico e compositor, opositor do antigo regime, Catarina Eufémia, uma trabalhadora em greve que foi morta no antigo regime, e variações das Forças Armadas, como Rua das Forças Armadas, Rua Movimento das Forças Armadas, Rua Capitães de Abril ou, de forma mais simples, Rua MFA (em Vila Franca de Xira, distrito de Lisboa).

Outras figuras da oposição ao fascismo figuram ainda nas toponímias do país, como Henrique Galvão, o militar que em 1961 tomou de assalto um paquete como uma forma de lutar contra a ditadura. Está em Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro, está em Oeiras e Sintra e numa travessa de Odivelas, distrito de Lisboa, entre muitos outros locais.

Pinheiro de Azevedo, militar e antigo primeiro-ministro, dá nome a ruas e largos, e António de Spínola, um dos rostos da revolução e Presidente da República após o 25 de Abril, está pelo menos numa rua de Pombal, Leiria, e numa praça de Oeiras, Lisboa.

Oeiras tem também uma Rua Cravos de Abril (como a Marinha Grande, Leiria) e uma Rua Costa Gomes, outro dos rostos do 25 de Abril e também antigo Presidente da República.

Costa Gomes surge noutras ruas do país, como outros nomes ligados ao 25 de Abril e à luta contra o fascismo, seja Vítor Alves numa rotunda ou Melo Antunes numa avenida de Sintra, seja Ramiro Correia, outro “capitão de Abril” imortalizado em Vila Franca de Xira, na Amadora ou em Loures, concelhos de Lisboa, além de ruas de outros distritos.

Otelo Saraiva de Carvalho, outra das figuras da revolução, ainda vivo, dá nome a pelo menos uma rua de Benavente (Santarém), outra em Palmela (Setúbal) e outra ainda em Serpa (Beja). E Rodrigo de Sousa e Castro, um militar que esteve na organização do Movimento das Forças Armadas, que derrubou o antigo regime, tem também uma rua em Celorico de Basto, Braga, terra de onde é natural.

Se o Barreiro (Setúbal), por exemplo, duplica a homenagem à revolução com uma Rua Resistência ao Fascismo no Bairro 25 de Abril, segundo a iniciativa do Museu quase não há concelho em Portugal onde escadas ou escadinhas e cantinhos, uma rua ou travessa, rotunda ou avenida, praça ou praceta, largo e jardim, beco, calçada, ou alameda não tenha pelo menos um nome ligado ao 25 de Abril.