Após a deposição do presidente Omar al-Bashir, a oposição e os militares sudaneses estão a preparar-se para constituir um governo de transição, reunindo-se numa sessão de trabalho “transparente e favorável” neste sábado, 27 de abril. Ambas as partes anunciaram a constituição de uma comissão formada por membros do Conselho Militar de Transição e das Forças da Declaração da Liberdade e Mudança, uma coligação de grupos da oposição liderada pela Associação dos Profissionais Sudaneses.

A reunião ocorreu depois de os opositores terem concordado na quarta-feira a retoma das conversações com os militares, que anunciaram a resignação de três elementos da junta militar, acusados de serem próximos de Al-Bashir. “As negociações foram dominadas por um espírito positivo e caracterizadas por uma grande transparência, para elevar o valor da pátria“, afirmou numa conferência de imprensa o porta-voz da junta militar, Shamsaldín Kabashi, no final da reunião.

Por sua vez, o porta-voz das Forças da Declaração da Liberdade e Mudança, Madani Abas Madani, disse que foram “discutidos pontos de discórdia”, esperando que se produzam “resultados positivos que satisfaçam as aspirações do povo sudanês o mais rápido possível”. “A discussão foi positiva e favorável”, concluiu o ativista.

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A reunião aconteceu após uma semana de protestos para exigir a transição do poder para um governo civil. Os opositores propõem um conselho soberano, constituído por um número limitado de militares, durante um período de transição de quatro anos.

Em contrapartida, os militares defendem a cedência do poder soberano aos generais durante dois anos. Milhares de pessoas continuam em protesto no Sudão para reclamar uma transição democrática para um governo civil, depois de manifestações contra Omar al-Bashir terem levado os militares a deporem o Presidente sudanês em 11 de abril.

Desde então, o Sudão é governado por uma junta militar, o Conselho Militar de Transição. Os protestos contra Omar al-Bashir começaram em dezembro devido ao agravamento da situação económica no país, com o aumento dos preços de produtos básicos e do combustível. A repressão das manifestações provocou mais de 50 mortos e milhares de feridos, assim como vários detidos, que foram posteriormente libertados pelo Conselho Militar de Transição.