São já oito as mortes causadas pelo Ciclone Kenneth em Moçambique. A chuva intensa que atingiu Pemba, capital provincial de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, levou à inundação de várias casas, matando pelo menos três pessoas, anunciaram fontes locais.

“Houve três óbitos” na sequência das cheias, referiu o presidente do conselho municipal, citado pela Televisão de Moçambique (TVM), confirmando relatos de moradores nos bairros afetados. A precipitação foi provocada pela depressão atmosférica que teve origem no ciclone Kenneth, que atingiu a região na quarta-feira e que se dissipou no sábado, mas que deixou chuvas intensas que se devem prolongar durante mais uma semana.

As vítimas deste domingo morreram dentro de casas de construção precária que desabaram com a força das águas. Pemba tinha escapado à entrada do ciclone em terra, mas o pior acabou por chegar hoje.

O ciclone Kenneth foi o primeiro, desde que há registo, a atingir o Norte de Moçambique, onde provocou cinco mortos, segundo número oficiais e numa altura em que ainda decorrem levantamentos em zonas mais remotas. Quase 3.500 casas foram parcial ou totalmente destruídas, pelo menos 168 mil pessoas foram afetadas pelo ciclone e há mais de 18.000 pessoas em 22 centros de acomodação.

O ciclone Kenneth atinge Moçambique seis semanas depois de o ciclone Idai causar a morte de pelo menos 602 pessoas no país. O The Guardian indica que os especialistas das Nações Unidas esperam que o Kenneth causa duas vezes mais chuva em Moçambique do que o Idai. A precipitação prevista para a próxima semana deverá ser equivalente a um quarto de toda a precipitação anual no país.

ONU promete ajudar na recuperação

Em nota emitida pelo seu porta-voz, Stéphane Dujarric, e divulgada pela ONU News, António Guterres apresentou as suas condolências e solidariedade às famílias das cinco vítimas mortais, ao Governo e ao povo moçambicano. O secretário-geral das Nações Unidas sublinhou a tristeza que sentia ao ver a destruição causadas pelo ciclone Kenneth na província moçambicana de Cabo Delgado.

Guterres garantiu que a ONU e os seus parceiros humanitários estão a apoiar as autoridades locais na avaliação das necessidades e apelou à comunidade internacional para que disponibilize financiamento para garantir a ajuda necessária.

A chefe do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitário para África Austral e Oriental, Gema Connell, já registara no sábado o choque da ONU pela situação extrema no país: “Vimos do ar algumas das aldeias que ficaram no olho do ciclone e foram totalmente arrasadas. Parece que foram esmagadas por uma máquina de compactar