Ciência

Cientistas avisam. Destruição da natureza é ameaça tão grave como as alterações climáticas

1.011

O grupo de cientistas, reunido em Paris, pede um acordo internacional para a natureza. Afirmam que um quarto das 100.000 espécies avaliadas num relatório está em extinção.

A reunião internacional da ONU que reúne cientistas e diplomatas de 130 países decorre até sábado

LESZEK SZYMANSKI/EPA

Autor
  • Agência Lusa

Cientistas e diplomatas de 130 países abriram esta segunda-feira, em Paris, uma reunião global sobre biodiversidade, deixando a mensagem de que “a destruição da natureza ameaça o homem tanto como as alterações climáticas e merece atenção para evitar impactos devastadores”.

A reunião internacional, sob a égide da ONU, decorre até sábado para adotar a primeira avaliação do ecossistema mundial nos últimos 15 anos, num “inventário sombrio da natureza, vital para a humanidade”.

“As provas são incontestáveis: a nossa destruição da biodiversidade e dos ecossistemas atingiu níveis que ameaçam o bem-estar da humanidade, pelo menos tanto quanto as alterações climáticas induzidas pelo homem”, afirmou, na abertura da sessão, Robert Watson, presidente da Plataforma Intergovernamental Científica e Política da Biodiversidade e Ecossistemas (IPBES).

O grupo de especialistas trabalhou durante três anos num relatório de 1.800 páginas que “deve tornar-se a verdadeira referência científica sobre a biodiversidade”, assim como as conclusões do Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas já são para o clima.

“A palavra biodiversidade às vezes parece abstrata, mas diz respeito a todas as espécies animais ou vegetais que vivem no planeta, incluindo aquela que se coloca ela mesma em perigo ao destruir a natureza: a humanidade. E o homem não pode viver sem essa natureza, que lhe presta serviços de valor incalculável, desde insetos polinizadores a florestas e oceanos que absorvem CO2, até medicamentos ou água potável”, declarou Robert Watson.

O cientista considerou que, à semelhança do clima, “este mês de abril de 2019 pode marcar o início de uma viragem semelhante para a biodiversidade e as contribuições da natureza para as pessoas”. “Muitos esperam que esta avaliação seja o prelúdio para a adoção de metas ambiciosas na reunião de 2020, na China, dos Estados-membros da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP15)”, afirmou.

Praticamente nenhum dos 20 objetivos previamente definidos para 2020, que visam uma vida “em harmonia com a natureza” até 2050 será alcançado, de acordo com o esboço do relatório obtido pela agência noticiosa francesa AFP, que será discutido, alterado e depois aprovado linha a linha pelos delegados, antes da sua publicação, prevista para 6 de maio. “O património ambiental global (…) está a ser alterado a um nível sem precedentes”, adverte o texto.

Um quarto das 100.000 espécies avaliadas – uma pequena porção das estimadas oito milhões existentes na Terra – já estão ameaçadas de extinção, sob pressão da agricultura, pesca, caça ou mudanças climáticas, acrescenta. “Uma rápida aceleração da taxa de extinção de espécies” é esperada pelos cientistas, de acordo com o relatório preliminar, e entre 500.000 e um milhão podem estar ameaçadas, “muitas nas próximas décadas”.

“Este relatório é fundamental e recordará a todos nós esta surpreendente verdade: As gerações de hoje têm a responsabilidade de legar às gerações futuras um planeta que não esteja irreparavelmente danificado pelas atividades humanas”, disse Audrey Azoulay, diretora executiva da UNESCO, a agência das Nações Unidas que promove a reunião.

“A ciência diz-nos o que o nosso conhecimento vem a reportar há décadas: A Terra está a morrer”, disse José Gregório Mirabal, presidente da organização Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazónica. “Pedimos urgentemente um acordo internacional para a natureza, para restaurar metade do mundo natural o mais rapidamente possível”, acrescentou, sublinhando que este relatório pela primeira vez leva em consideração as prioridades dos povos indígenas.

O texto liga claramente as duas principais ameaças de aquecimento e danos à natureza, identificando algumas causas semelhantes, em particular práticas agrícolas e desflorestação, responsáveis por cerca de um quarto das emissões de CO2, bem como danos diretos aos ecossistemas.

Contudo, admite que, “dada a escala das reformas a serem implementadas, que implicam uma verdadeira transformação dos estilos de vida num planeta cada vez mais populoso, a resistência pode ser ainda mais forte do que a da luta contra as alterações climáticas”.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Natureza

Naturalmente

Ricardo Mendes Ribeiro

A natureza é resiliente, capaz de adaptar-se às asneiras que fazemos. O que não muda são as suas leis. Por isso, as tentativas de redefinir o ser humano mais tarde ou mais cedo chocam com a realidade

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)