A 25 de maio de 1967, há mais de 50 anos, Stevie Chalmers aparecia à entrada da grande área defendida pelo Inter Milão no Jamor, puxava a perna esquerda atrás e rematava rasteiro e de primeira para o fundo das redes do italiano Giuliano Sarti. Faltavam cinco minutos para terminar a final da Taça dos Campeões Europeus de 1967 e o Celtic Glasgow acabaria por levantar o troféu pouco depois, na tribuna do Estádio Nacional, perante Américo Tomás e 30 mil espetadores. Mais do que o primeiro título europeu da equipa escocesa, o Jamor foi o palco da primeira vitória de uma equipa britânica na Taça dos Campeões Europeus.

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Stevie Chalmers, muitas vezes apresentado como “o homem que marcou o golo mais importante da história do Celtic”, morreu esta segunda-feira, aos 83 anos. A morte do antigo médio surge apenas uma semana depois da de Billy McNeill, o capitão dessa equipa do Celtic que se sagrou campeã europeia em Portugal e acabou por ficar conhecida na história como os Leões de Lisboa. Chalmers, internacional escocês em cinco ocasiões, começou a carreira no Ashfield, outro clube de Glasgow, até se juntar ao Celtic, equipa que representou durante 12 temporadas — quando saiu, em 1971 e com 36 anos, deixou para trás um registo de 236 golos (só três jogadores marcaram mais na história do clube).

O antigo jogador escocês ainda representou o Morton e o Partick Thistle até terminar a carreira, em 1975, e entrou para o Hall of Fame do futebol do país britânico, em 2016. No ano seguinte, foi confirmado pela família que Stevie Chalmers sofria de demência, o mesmo problema de saúde que afetou Billy McNeill nos últimos anos de vida, e este acabou por já não estar presente nas comemorações do 50.º aniversário da vitória do Celtic na Taça dos Campeões Europeus.

Para trás, além de um palmarés que inclui uma Taça dos Campeões Europeus, quatro Ligas escocesas, três Taças da Escócia e quatro Taças da Liga, Chalmers deixa ainda o legado de um dos seis filhos, Paul, que entre 1984 e 1996 foi avançado do Celtic, do Bradford, do St. Mirren e do Swansea.

“Este é um momento particularmente devastador para família Celtic, com o desaparecimento do Stevie Chalmers a acontecer tão pouco tempo depois do do amigo e antigo colega de equipa, Billy McNeill. As minhas condolências vão para os Leões de Lisboa, que já estavam de luto pela perda do capitão e agora têm de enfrentar a morte de outro companheiro. Stevie Chalmers era uma lenda do Celtic e um dos melhores goleadores que o clube já viu (…) só um homem podia afirmar ter marcado o golo mais importante dos 131 anos de história do Celtic e esse homem era o Stevie Chalmers”, disse Peter Lawwell, CEO do Celtic Glasgow.