Desde que foi retirado da embaixada do Equador, em Londres, Julian Assange passa os seus dias numa prisão de segurança máxima a sudeste de Londres — Belmarsh. Esta é uma prisão “intimidante”, diz à CNN a líder de uma ONG que zela pelas condições das prisões britânicas, onde estão detidos terroristas como Abu Hamza al-Masri e Anjem Choudary. A violência faz parte do dia a dia e é por isso que os pais do fundador do WikiLeaks contrataram um advogado destacado que vai construir o caso com base no precedente que se criou quando regressou à Austrália um prisioneiro em Guantanamo.

Greg Barns é o nome desse advogado. “Tanto John [Shipton, o pai de Assange] como a mãe, Christine, estão preocupados pelo facto de o seu filho estar numa prisão de segurança máxima, como qualquer pai estaria”, contou o advogado, à CNN. Para Greg Barns, foi estabelecido um precedente quando David Hicks, um australiano acusado de apoiar atividades terroristas no Afeganistão que foi parar a Guantanamo, em 2002. O pai de David Hicks não desistiu enquanto não conseguiu trazer o filho de volta para a Austrália e, a certa altura, conseguiu-o, graças à intervenção do governo australiano.

Hicks voltou para a Austrália, depois de cinco anos em Guantanamo, e cumpriu o resto da pena na Austrália. “Há 10 anos, o governo de Howard interveio, sob pressão, para que David Hicks voltasse à Austrália. A pressão exercida pelo seu pai, pela equipa legal que contratou foram decisivos, tal como também foi a forma como os cidadãos australianos encaravam o tratamento dos prisioneiros em Guantanamo”, diz o advogado.

Na opinião do advogado, “não é um objetivo pouco realista” conseguir que Assange volte para a Austrália.

Mas não será fácil, como reconhece Greg Barns. “O caso de Julian é diferente [de David Hicks], mas há algumas semelhanças porque existe uma opinião geral na população australiana de que o sistema judicial dos EUA é muito politizado e existe um grande desconforto em relação a isso”, diz o advogado.

Existe uma petição no change.org a pedir a intervenção do governo australiano no caso legal de Assange, que já tem mais de 125 mil assinaturas.