Sri Lanka

Sri Lanka. Irmã do principal suspeito dos ataques tem 18 familiares desaparecidos

Hashim Mathaniya, irmã de Zahran Hashim, suspeito de ter sido o mentor das explosões, conhecido pelo seu discurso violento contra os não-muçulmanos, diz não saber de 18 familiares.

No domingo de Páscoa, três igrejas e três hotéis foram alvo dos atentados, nos quais morreram pelo menos 40 estrangeiros, incluindo um cidadão português

AFP/Getty Images

Uma semana depois dos atentados suicidas no Sri Lanka, que provocaram mais de 250 mortos e 500 feridos, as autoridades ainda estão a investigar o caso e as igrejas continuam com as missas suspensas. Entretanto, Mohamed Hashim Mathaniya, a irmã do principal suspeito de ter sido o mentor destes ataques, revelou à CNN que tem 18 familiares desaparecidos desde aquele dia fatídico. 

A irmã de Mohamed Zahran Hashim explicou ainda que conseguiu identificar o seu irmão através de fotografias de partes do seu corpo quando foi à esquadra da polícia no início da semana. “Cinco homens desapareceram depois dos ataques. Eles eram os meus três irmãos, o meu pai e o marido da minha irmã”, referiu. Mohamed Zahran Hashim foi identificado num vídeo divulgado por uma agência de notícias ligada ao ISIS antes de se fazer explodir.

No domingo de Páscoa, três igrejas e três hotéis foram alvo dos atentados, nos quais morreram pelo menos 40 estrangeiros, incluindo um cidadão português. Esta sexta-feira, 10 civis, incluindo seis crianças, foram mortos juntamente com seis supostos terroristas após um tiroteio entre as autoridades e os supostos  militantes na cidade de Sainthamaruthu, na costa leste do Sri Lanka.

Deste grupo, um dos militantes que foi morto foi Mohamed Niyas, um membro do grupo extremista National Thowheeth Jama’ath (NJT) e cunhado de Mathaniya. “Não me atingiu até que vi os corpos dos homens e das mulheres”, contou ainda Mathaniya à CNN.

“Solitário” e com um discurso violento: quem é o líder destes atentados?

A investigação ainda está a decorrer, mas Mohamed Zahran Hashim é considerado pelas autoridades como o principal suspeito de liderar o grupo apontado como o responsável pelos ataques. Nascido de uma típica família de classe média muçulmana, Hashim tinha 12 anos quando começou a estudar no Jamiathul Falah Arabic College, situado em Kattankudy, uma pequena cidade predominantemente muçulmana. Nunca chegou a terminar os estudos e, aos poucos, foi-se radicalizando.

Durante anos, o caminho que Hashim seguiu indicava já alguns sinais perigosos que foram sendo ignorados. Cresceu numa comunidade marginalizada, onde apenas 10% dos cerca de 20 milhões de habitantes do país são muçulmanos e era um orador habilidoso, conseguindo atrair várias pessoas através dos seus discursos violentos contra os não-muçulmanos e através de lições do Alcorão. Hashim utilizava também redes sociais como o YouTube e o Facebook para conseguir “puxar” seguidores através dos seus sermões que, entretanto, foram removidos. Dentro da própria comunidade local, era considerado uma ameaça por ser demasiado radical e criava atritos com frequência.

“Esta pessoa era um solitário e radicalizou os jovens sob o disfarce de ensinar o Alcorão”, relembrou o vice-presidente do Conselho Muçulmano do Sri Lanka, Hilmy Ahamed, à AFP, acrescentando que “ninguém pensava que estas pessoas seriam capazes de realizar um ataque de tamanha magnitude“.

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