A aquecer a polémica que envolve a Huawei por suspeitas de espionagem, chega agora uma nova declaração que aumenta a pressão exercida pelos Estados Unidos sobre o Reino Unido. Um alto funcionário do Departamento de Estado dos EUA avisou que a adoção da tecnologia da Huawei para redes 5G pode afetar os acordos de partilha de informações entre os serviços secretos dos dois países.

“Os Estados Unidos consideram que constitui um risco colocar em qualquer parte da rede 5G de telecomunicações a Huawei ou qualquer outro fornecedor que não seja confiável”, declarou esta segunda-feira Robert Strayer, responsável do Departamento de Estado para a política cibernética e internacional e para a política de tecnologia de informação, que sugere assim que os laços entre as secretas das duas potências podem estar em risco.

Estas declarações surgem depois de na semana passada o jornal britânico Daily Mail ter avançado que o Conselho de Segurança Nacional do Reino Unido — presidido pela primeira-ministra, Theresa May — aprovou que a Huawei participe no desenvolvimento da rede 5G. Isto apesar da pressão exercida pelos Estados Unidos para travar a fabricante chinesa, por alegados riscos de segurança.

Esta fuga de informação resultou em pedidos para que o seu autor seja identificado e demitido, adianta o The Guardian. Os holofotes foram apontados para os cinco ministros britânicos que levantaram reservas sobre a Huawei, como o secretário do Exterior, Jeremy Hunt, o secretário do Interior, Sajid Javid, e o secretário de defesa, Gavin Williamson.

Agora, os Estados Unidos — que já anunciaram que vão repensar a partilha de informação com países aliados que usem equipamentos fabricados pela Huawei — voltam a pressionar o Reino Unido, alegando que a gigante chinesa pode colocar em risco as relações entre os serviços secretos do dois países.

Este novo passo no lobby norte-americano acontece também numa altura em que o secretário de Estado do Tesouro dos Estados Unidos viaja para a China para iniciar uma nova ronda de negociações sobre a guerra comercial entre os dois países. Segundo avançou a Reuters, Steven Mnunchin disse numa entrevista esta segunda-feira que espera que Pequim e Washington possam finalizar um acordo comercial com mais duas rondas de negociações.