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China

Marcelo diz adeus à China com uma viagem curta e intensa a Macau. “Saio com a Flor de Lótus no coração”

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Em menos de 12 horas, Marcelo passeou pelo centro histórico, contactou portugueses e elite política. Sai com a promessa de voltar em breve e deixou boas notícias para a Escola Portuguesa de Macau.

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Enviado especial a Macau

Marcelo trazia boas notícias para dar na visita à Escola Portuguesa de Macau. Depois de ter posto alunos e professores a gritar “EPM” (a sigla da escola), voltou a levar a plateia ao rubro ao decretar que “é a melhor escola do mundo”.

Sendo assim, continuou o Presidente, “uma grande escola merece um grande presente”, e Marcelo fez o anúncio: a ampliação das instalações tinha finalmente luz verde do governo da Região Administrativa Especial, as obras do novo polo arrancam ainda em 2019, o que significa que está a chegar ao fim uma espera já com 14 anos.

Frequentam esta escola 577 alunos, na grande maioria portugueses. Mas há no total 24 nacionalidades representadas nesta instituição de ensino que faz agora 20 anos e que recentemente introduziu também o ensino do mandarim num currículo que segue o modelo português.

Agora vai crescer, e boas notícias são sempre bem-vindas. Sobretudo se vierem numa altura em que a comunidade portuguesa vive alguma incerteza relativamente ao futuro. Ainda que ao longe, já se vai ouvindo um relógio a fazer a contagem decrescente para 2049 – data em que o estatuto de Região Administrativa Especial perde a validade. O que acontece depois desse período? Ninguém sabe.

A visita do Presidente da República acontece alguns meses antes de se assinalarem os 20 anos da entrega da administração do território à “mãe-pátria“. Nessa data, 20 de Dezembro, tomará também posse o novo governo, o que representará a chegada de um ciclo novo ao pequeno território que está hoje praticamente irreconhecível para os portugueses que saíram em 1999 e nunca mais regressaram. Macau cresceu e enriqueceu, sobretudo graças à multiplicação de casinos (e de receitas de turismo) que fazem desta a capital mundial do jogo.

O  futuro desenhado em Pequim passa pela criação de uma metrópole mundial que vai unir Macau, Hong Kong (que também está ao abrigo do princípio “Um País, Dois Sistemas”) e nove localidades da província de Guangdong, que em conjunto ultrapassa ligeiramente a população de França. Um projeto “muito querido do Presidente Xi”, confirma Marcelo, que aproveita para saudar a decisão portuguesa de reabrir o consulado em Cantão.

Quanto a Macau, não deixa de ser significativo que o Presidente tenha passado um dia inteiro de programa intenso e sem intervalos, a falar da “diferença” de Macau. Da importância de preservar essa diferença, de garantir que essa diferença sobrevive para além daquilo que consta da Lei Básica (a lei em vigor desde 1999 e que define o estatuto especial):”A Lei Básica fala num prazo de 50 anos. O que são 50 anos para uma cultura milenar como a chinesa e para uma cultura de quase mil anos como a portuguesa? Não é nada. Passarão 50 anos e Macau continuará a ser Macau”.

E o português, como língua oficial? Marcelo “tem a certeza” que sim. E puxa de alguns números que também fazem o balanço positivo da viagem: 45 escolas primárias e básicas a ensinar português em Macau, 48 universidades a ensinar português em toda a China, um acordo assinado que permite a instalação de uma antena em Pequim do Instituto Português do Oriente para “o ensino do português em toda a China continental e não apenas em Macau”, disse Marcelo.

“Há mais alunos e mais pessoas a falar e a aprender português do que no momento da transição”, garantiu o Presidente da República.

Quanto ao balanço da viagem de seis dias à China, que terminou esta quarta-feira, houve, claro, as habituais manifestações de regozijo: “A visita ultrapassou as expectativas”, “o momento das relações é excelente”, “saio muito feliz”.

A última palavra pública que deixou antes de regressar a Lisboa foi num jantar oferecido em sua honra pelo governador da RAEM: “Saio com a flor de Lótus no meu coração”, disse Marcelo.

Aos portugueses de Macau prometeu um regresso para breve (provavelmente para os 20 anos da transição) até porque ainda antes de ter aterrado na China já estava a ser criticado pelo escasso número de horas que dedicou ao território: “É pouco, muito pouco“, dizia à Lusa no início de Abril o conselheiro das Comunidades Portuguesas na China.

Segundo a comunicação social macaense, esta foi a visita mais curta de sempre de um chefe de Estado português a Macau. O Presidente da República esteve menos de 24 horas no território. Não admira por isso que tenha repetido algumas vezes que esta visita deu vontade de voltar, e que só está a dizer um “até logo”.

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