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Chipre

“Estou aborrecido, quero ir para a prisão”. A confissão do assassino em série do Chipre

Nikos Metaxas recorria a um site de encontros para escolher as vítimas. O suspeito escondeu os corpos de mulheres estrangeiras em locais abandonados. O ministro da Justiça demitiu-se depois do caso.

As autoridades já encontraram quatro corpos de mulheres e pode ainda haver raparigas entre as vítimas

Yiannis Kourtoglou/Reuters

Um oficial do exército suspeito de matar pelo menos sete mulheres e raparigas no Chipre confessou por escrito os homicídios, alegando que estava “aborrecido” e que queria “ir para a prisão”, avança o The Guardian. Os homicídios terão ocorrido ao longo dos últimos três anos e já foram encontrados quatro corpos. Na sequência do caso, o ministro da Justiça cipriota demitiu-se.

“Estou aborrecido. Quero ir para a prisão. Tragam-me papel para eu escrever tudo”, disse Nikos Metaxas, de 35 anos e capitão da Guarda Nacional. A confissão por escrito do homem de nacionalidade grega e cipriota terá dez páginas, de acordo com o diário grego Politis, citado pelo The Guardian. Metaxas decidiu confessar o homicídio de cinco mulheres e duas raparigas estrangeiras quando percebeu que as provas contra si eram inquestionáveis. O suspeito recorria a sites de encontros online para conhecer as vítimas e usava o pseudónimo Orestis.

O suspeito confessou ter largado o corpo de três mulheres em dois lagos artificiais de águas tóxicas na aldeia de Mitsero, a 32 km da capital cipriota Nicosia.

As autoridades recuperaram uma mala onde alegadamente o suspeito escondeu um dos corpos

No domingo, as autoridades encontram o corpo de uma mulher dentro de uma mala num dos lagos. Estava vestida e em avançado estado de decomposição. Segundo o The Guardian, a vítima ainda não foi identificada. As autoridades crêem tratar-se de Livia Bunea, cidadã romena de 36 anos, que desapareceu com a sua filha de oito anos em setembro de 2016, ou Maricar Arquila, filipina de 30 anos, desaparecida desde dezembro de 2017.

A má visibilidade nos lagos, de águas tóxicas vermelhas fruto de anos de uma antiga exploração mineira naquele local, tem dificultado as buscas.

Foram ainda localizados os corpos de mais três vítimas, despidas, amarradas e embrulhadas em lençóis. As autoridades encontraram uma mulher nepalesa num poço de uma carreira de tiro militar, depois de o suspeito ter conduzido os investigadores ao local após a sua detenção. E duas filipinas, Mary Rose Tiburcio, de 38 anos, e Arian Palanas Lozano, de 28, descobertas numa mina de cobre abandonada. Mary Rose Tiburcio tinha desaparecido há mais de um ano em conjunto com a sua filha de seis anos.

Não há precedentes de serial killers (assassinos em série) no Chipre e Nikos Metaxas será mesmo o primeiro. Até agora, todas as vítimas eram empregadas domésticas que trabalhavam na ilha.

A população acusa as autoridades de indiferença e racismo

As autoridades cipriotas têm sido fortemente criticadas pela forma como trataram os casos das mulheres estrangeiras desaparecidas. A população do Chipre e os media locais acusam a polícia de ter ignorado os desaparecimentos e criticam a forma pouco rigorosa e despreocupada com que os casos foram tratados. Fonte próxima da mulher desaparecida em conjunto com a sua filha alega mesmo que não chegou a ser chamada para falar com a polícia quando reportou o desaparecimento a uma esquadra local.

O chefe da polícia e o ministro da Justiça, que já se demitiu na sequência do caso, estão “debaixo de fogo” no Chipre e a população manifestou-se à porta do palácio presidencial na semana passada.

“As autoridades mostraram uma indiferença sem precedentes (perante os casos) simplesmente porque as vítimas não eram do Chipre mas sim de países estrangeiros”, disse Andros Kyprianou, líder do Partido Progressista dos Trabalhadores cipriota.

Segundo a BBC, a polícia alega que limites legais limitam o seu trabalho e capacidade para verificar certas pistas dos casos sem ordem do tribunal. As autoridades afirmam, no entanto, que vão continuar a investigar o caso.

As ilhas do Mediterrâneo têm vários casos abertos de pessoas desaparecidas. Muitos filipinos emigram para o Chipre e para Grécia na esperança de um futuro melhor e representam uma boa parte da classe média trabalhadora das duas ilhas do Mediterrâneo.

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