Há muito que o futebol deixou de se jogar dentro das quatro linhas. Há muito que o futebol deixou de ser 22 jogadores e uma bola. E há muito que o futebol é muito mais, em tudo o que isso tem de bom e de mau, do que pontapés de canto, livres diretos, remates e desaires. Os equipamentos, por exemplo, têm cada vez mais preponderância e a apresentação das fatiotas para o ano seguinte dos principais clubes europeus é antecipada quase como se se tratasse de uma nova contratação para o plantel principal.

Depois de o Manchester City ter lançado uma camisola comemorativa que os jogadores só usam no aquecimento mas que deixa muito a desejar à estética — junta as camisolas das últimas seis temporadas numa só, num resultado final algo confuso –, o Chelsea revelou esta quinta-feira o equipamento principal que será usado pelos blues na próxima temporada. A camisola totalmente azul dá lugar a um estampado de Stamford Bridge, o estádio do Chelsea, e as opiniões estão longe de ser consensuais.

No dia em que se conheceu a nova camisola do Chelsea, a equipa inglesa até estava longe de Stamford Bridge. O conjunto orientado por Maurizio Sarri viajou até à Alemanha para defrontar o Eintracht Frankfurt, o carrasco do Benfica nos quartos de final, e apresentava-se com um trio ofensivo formado por Willian, Pedro e Giroud, o atual melhor marcador da Liga Europa. A surpresa era então a ausência de Hazard do onze inicial — contra um Eintracht que estava desprovido de Haller, por lesão, e de Rebic, por castigo.

Ainda assim, os alemães começaram melhor e surpreenderam o Chelsea com a mobilidade de Gacinovic nas costas de Jovic. O Eintracht chegou à vantagem aos 23 minutos, precisamente por intermédio do avançado ex-Benfica, que correspondeu da melhor forma e sem marcação a um grande cruzamento de Kostic. Os blues empataram ainda antes do intervalo, no último minuto da primeira parte, através de Pedro, depois de um lance de insistência no seguimento de um pontapé de canto que culminou num remate certeiro do espanhol.

Na segunda parte, e com Hazard em campo a partir do minuto 60, o Chelsea insistiu e colocou em prática um fluxo ofensivo que anulou o Eintracht mas o guarda-redes Kevin Trapp não voltou a permitir qualquer golo e manteve viva a esperança dos alemães de chegar à final da Liga Europa. Para a segunda mão, os ingleses levam vantagem graças ao golo fora mas a verdade é que o Chelsea mostrou em Frankfurt querer muito mais do que apurar-se para a final com um empate. Afinal, e por estranho que pareça, esta é já a nona meia-final europeia do clube de Londres desde 2003/04: o mesmo número que o Barcelona e mais do que qualquer outra equipa no mesmo período à exceção dos catalães.