Depois de algumas dificuldades em contactar alguns dos visados ou de conciliação de agenda, ficaram fechadas as datas para as primeiras audições de alguns dos clientes e devedores da Caixa Geral de Depósitos cujas operações estão sinalizadas na auditoria da EY.

A audição de Joe Berardo, uma das mais aguardadas da segunda comissão parlamentar de inquérito à recapitalização do banco, ficou marcada para a próxima sexta-feira, dia 10 de maio, às 14.30. Para dia 9, ficou agendada a inquirição a Diogo Gaspar Ferreira que foi acionista e presidente da sociedade gestora de Vale do Lobo até ao final de 2017. No dia 8, quarta-feira, é a vez de Manuel Matos Gil, em representação do grupo Imatosgil, que levou a CGD a investir no capital da empresa química catalã La Seda.

Por agendar estão ainda outros dois grandes devedores do banco público, Joaquim Barroca, ex-presidente do grupo Lena que terá já invocado a sua condição de acusado na Operação Marquês no quadro dos contactos com os serviços da comissão, e Manuel Fino, que foi acionista da Cimpor e da Soares da Costa, ou alguém que o represente.

A semana de audições arranca na terça-feira de manhã com os dois responsáveis do Banco de Portugal pelo departamento de supervisão no período temporal abrangido pela comissão de inquérito. Ainda esta sexta-feira, Faria de Oliveira fecha o ciclo de audições a ex-presidentes da CGD, depois de terem sido ouvidos António de Sousa e Carlos Santos Ferreira. Os deputados acordaram deixar de fora outros ex-presidentes da Caixa durante entre 2000 e 2015, como Vítor Martins e José de Matos, por considerarem que não era tão relevante a intervenção nestes mandatos nas operações consideradas mais ruinosas e por necessidade contenção do número de pessoas chamadas.