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Quando todas as atenções nacionais do Estoril Open se centravam em João Sousa, eis que apareceu João Domingues. Primeiro, sem que ninguém se apercebesse, passando as eliminatórias no qualifying: no arranque, o sueco Elias Ymer (6-3 e 7-6); depois, o italiano Filippo Baldi (6-2 e 6-4). Portugal estaria representado por três tenistas no quatro principal de 2019. Pedro Sousa, com algumas (visíveis) limitações físicas, caiu logo no primeiro encontro frente ao americano Reilly Opelka. João Sousa, o melhor da atualidade, começou por superar o australiano Alexei Popyrin mas não conseguiu contrariar o melhor jogo do belga David Goffin, perdendo na segunda ronda a possibilidade de defender o título conseguido no ano passado. Domingues por lá continuava.

John Millman desistiu e João Domingues está nos quartos de final do Estoril Open pela primeira vez

A estreia do jogador de 25 anos natural de Oliveira de Azeméis, 214.º do ranking, acabou por servir de impulso para a sua melhor participação de sempre no Estoril Open: frente ao australiano Alex de Minaur, apontado como um dos mais promissores talentos da nova vaga de tenistas que começam a dar cartas no circuito mundial, Domingues conseguiu uma convincente vitória por 6-2, 2-6 e 6-2. Mais uma ronda, mais um triunfo, de novo com um australiano pela frente: quando estava em desvantagem por 6-3 e 2-1, John Millman, 50.º do ranking, desistiu e colocou o português nos quartos-de-final, onde teria pela frente o cabeça de série número 1 do torneio e nome mais forte da edição de 2019: o grego Stefanos Tsitsipas.

Quem se recorda da fantástica semana que o helénico teve no Canadá em agosto, onde alcançou a primeira final ATP (onde seria derrotado por Rafa Nadal) depois de eliminar Dominic Thiem, Novak Djokovic, Alexander Zverev e Kevin Anderson, ou do jogo fabuloso em que afastou Roger Federer do último Open da Austrália, dificilmente poderia pensar que João Domingues tivesse grandes hipóteses no confronto com o décimo melhor do mundo (com apenas 20 anos). No entanto, e como mais uma vez ficou provado que o ténis passa muito pelo momento, o português teve uma grande exibição esta sexta-feira, com uma resistência bem acima do esperado perante o melhor jogo do grego, que venceu em dois sets com os parciais de 7-6 (3) e 6-4.

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Depois da vitória de ambos no seu jogo de serviço inicial, Domingues ainda desperdiçou dois break points no terceiro jogo do primeiro set mas conseguiu mesmo passar para a frente no serviço do grego, começando a liderar por 2-1 de uma forma que só surpreendia quem não estivesse a ver o jogo: sempre que conseguia colocar o seu primeiro serviço ou preparar os pontos para subir à rede, Tsitsipas fazia prevalecer o seu favoritismo, mas uma série de erros (com três duplas faltas logo no arranque) e um jogo taticamente quase perfeito do português, a obrigar sempre que possível o helénico a jogar de esquerda, permitiu que o 214.º do ranking conseguisse manter a liderança do set até ao 5-4, podendo fechar o parcial no seu serviço.

Depois de começar com um 30-0, Domingues não conseguiu contrariar o melhor jogo de Tsitsipas, que conseguiu ir crescendo com o passar dos minutos, e sofreu mesmo o break que voltou a colocar tudo igual (5-5). O grego ganhou o seu serviço com alguma facilidade, teve um set point para fechar no serviço do português mas a decisão acabou mesmo por cair para o tie break, com vantagem para o top 10 mundial por 7-3 após cinco pontos seguidos que fecharam o set em 57 minutos.

No segundo set, apesar de ter enfrentado pontos de break em dois jogos de serviço, João Domingues manteve a resistência frente a Tsitsipas, claudicando apenas no sétimo jogo, quando o grego passou para a frente por 4-3 com possibilidade de fazer o 5-3 no seu serviço. Tudo apontava para que tivesse sido uma espécie de golpe final na sua resistência mas não passou de uma ameaça, com o português a conseguir também fazer o break no serviço do helénico, abrindo uma janela de oportunidade para discutir ainda o set até ao final ou levar mesmo o encontro para um terceiro set, que se fechou com nova quebra de serviço, permitindo a conclusão do segundo set e do jogo com 6-4 ao fim de quase duas horas (1h48).