Escolas

Escolas portuguesas no estrangeiro com dificuldades na contratação local de docentes

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A principal dificuldade que as escolas lusas enfrentam no estrangeiro é contratação local de professores por causa das qualificações exigidas, diz diretora-geral da Administração Escolar portuguesa.

PAULO CUNHA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa
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A principal dificuldade das escolas portuguesas no estrangeiro é a contratação local de professores devido às qualificações exigidas, uma contrariedade que se resolve com a deslocação de docentes de Portugal, segundo a diretora-geral da Administração Escolar portuguesa.

Susana Castanheira Lopes falava à agência Lusa na cidade da Praia, onde arrancou este sábado o primeiro Encontro anual das Escolas Portuguesas no Estrangeiro, nas instalações da Escola Portuguesa de Cabo Verde.

Para esta dirigente do Ministério da Educação português, a dificuldade na contratação local de professores está relacionada com as regras que obrigam os docentes locais a terem as qualificações exigidas para todas as escolas em Portugal.

Torna-se por vezes difícil localmente encontrar pessoas docentes que tenham as qualificações profissionais para os grupos de recrutamento que fazem parte do sistema e que lecionam as diversas disciplinas do currículo”, disse.

Susana Castanheira Lopes assegurou que este problema “é sempre resolvido”. “Os nossos alunos nunca estão sem professores. Se não é possível contratar localmente, faz-se a deslocalização de professores vindos de Portugal”, declarou.

A diretora-geral da Administração Escolar portuguesa considera que “é atrativo para os professores” a possibilidade de lecionarem num outro país, sobretudo “pela experiência que traz uma vivência destas”. “Lecionar numa escola fora do território nacional é um grande desafio e uma descoberta e não haja dúvida que todos saem desta experiência muito recompensados”, disse.

Susana Castanheira Lopes sublinhou “o contacto com novas populações, outros saberes, outras culturas” que é “um momento muito importante no crescimento cultural e na dignificação da própria carreira docente”.

E acrescentou: “O que torna estas escolas especiais é a população escolar, com a sua caracterização local, a sua idiossincrasia. Os alunos destas escolas trazem consigo, na sua mochila, a sua cultura e a sua língua”.

Em relação a Cabo Verde, onde decorre este primeiro encontro das escolas portuguesas, recordou que “é um país onde a língua portuguesa deixou de ser a língua materna. Quando os alunos entram nesta escola, nem sempre trazem competências no domínio da língua portuguesa, mas facilmente as adquirem”.

Isto significa que o aluno vai divulgar a língua no seu seio familiar e depois essa divulgação alarga-se”, adiantou.

Para Susana Castanheira Lopes, uma das principais expressões do sucesso destas escolas é a lista de espera que todas têm. “As nossas escolas são o elemento preferencial das populações locais. Temos listas de espera muitíssimo grandes e, com muita pena, não podemos satisfazer toda a procura”, disse.

Susana Castanheira Lopes considera que este é “um bom sinal”. “Os pais pressionam muito as direções para os seus filhos entrarem nas nossas escolas e é sinal de que gostam das nossas escolas e têm confiança no ensino que é ministrado”.

A escolha de Cabo Verde para palco deste primeiro encontro não foi aleatória. “Foi a última escola a ser aberta. E quisemos começar por aí, mostrar à população e aos professores que a escola de Cabo Verde, pioneira do ensino do português neste território, através de uma entidade pública, é sem dúvida uma forte afirmação da língua e cultura portuguesas”.

Com o tema “Língua Portuguesa e os Desafios do Futuro”, o encontro é uma iniciativa da Direção-Geral da Administração Escolar (DGAE) e da Escola Portuguesa de Cabo Verde — Centro de Ensino e da Língua Portuguesa (EPCV-CELP), estando prevista a presença de escolas portuguesas na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da Região Administrativa Especial de Macau.

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