Um português morreu na sexta-feira à noite na Venezuela na sequência de uma tentativa de assalto, disse este sábado à agência Lusa o secretário de Estado das Comunidades.

José Luís Carneiro adiantou que o português era empresário na região de Los Teques, a sul de Caracas, zona onde reside uma forte comunidade portuguesa.

O emigrante português que perdeu a vida na noite de sexta-feira foi, entretanto, identificado como sendo Alfredo Fernandes de Abreu. Segundo o Diário de Notícias da Madeira, que cita o jornal El Pitazo, a vítima era natural da Madeira e proprietário da padaria Los Nuoves Teques, bem como sócio do Centro Português.

Alfredo Fernandes de Abreu terá sido intercetado por um grupo de criminosos armados quando seguia ao volante de uma carrinha Toyota Hillux na via principal de Carrizal. O grupo terá conduzido o emigrante até sua casa, na Urbanização de Nuevos Teques, e aí terá roubado várias jóias e algum dinheiro. O mesmo grupo abandonou o emigrante português ferido, na sequência de um disparo, na sala da própria habitação.

© El Pitazo

O português ainda foi transportado para uma clínica, acrescenta do DN Madeira, mas acabaria por falecer devido a ferimentos na região da omoplata. O relato é condizente com as declarações do secretário de Estado das Comunidades à Agência Lusa, que assegura que o português levou um tiro depois de uma tentativa de assalto, no qual existiu alguma resistência. A carrinha do emigrante foi posteriormente abandonada perto do Club Hípico de Los Teques.

José Luís Carneiro esclareceu ainda que a morte do português nada teve a ver com a situação política atual na Venezuela e que o assalto foi feito por um grupo que tem realizado vários assaltos nos últimos tempos. O jornal El Pitazo escreve que o grupo criminoso já terá sequestrado pelo menos 14 comerciantes nos últimos meses. O caso está agora a ser investigado pelo Cuerpo de Investigaciones Científicas Penales y Criminalistica (Cicpc).

Ministro dos Negócios Estrangeiros lamenta morte de empresário português na Venezuela

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, lamentou este sábado a morte do empresário português que foi assassinado na sexta-feira na Venezuela, esclarecendo que este caso não está relacionado com a situação política que se vive naquele país.

“As indicações de que disponho apontam para uma questão de criminalidade comum. O nosso concidadão, que era proprietário de uma padaria em Los Teques, terá sido intercetado na rua por homens armados que o forçaram a regressar a casa onde o roubaram e acabaram por assassinar”, disse Augusto Santos Silva.

O governante, que falava aos jornalistas à margem da sessão de encerramento do V Congresso Literacia, Media e Cidadania, em Aveiro, esclareceu que não se tratou de “um evento relacionado com os factos políticos e as manifestações e repressões que estão a ocorrer”.

“Foi um sequestro, dos que infelizmente há muitos, seguido de roubo e, neste caso, também de assassinato”, afirmou.

(artigo atualizado às 22h10 de sábado, 04 de maio)