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PAN admite apoiar um Governo no qual não seja apenas “mero apontamento”

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André Silva deu uma entrevista à agência Lusa onde deixa em aberto a possibilidade de, um dia, poder apoiar uma solução governativa. Traça também como objetivo ter maior representação no parlamento

João Relvas/LUSA

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  • Agência Lusa
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Eleger pelo menos dois deputados e conseguir o estatuto de grupo parlamentar é a meta do PAN para a próxima legislatura, na qual admite a possibilidade de apoiar uma solução governativa, mas não para ser apenas um “mero apontamento”.

Em entrevista à agência Lusa ainda antes da crise política que se gerou no final da semana por causa dos professores, o porta-voz e deputado único do PAN, André Silva, faz um balanço “extremamente positivo” da primeira legislatura do partido na Assembleia da República, não só pelas conquistas legislativas, mas também por ter “conseguido introduzir no debate político e social vários temas” que até então não tinham visibilidade.

Questionado sobre a possibilidade de vir a integrar uma solução governativa como a que atualmente vigora – ou seja, de apoio parlamentar a um Governo minoritário — André Silva destaca que “os partidos políticos servem e são criados para ocupar poder ou Governo ou para o influenciar”.

“O PAN está ainda na fase de influenciar os governos, de influenciar quem está no poder e vemo-nos, se for caso disso, a apoiar uma solução governativa, não estando no Governo, mas a apoiar uma solução governativa”, assume.

No entanto, o deputado único assegura que “o PAN não está disponível para ser um penacho de um qualquer Governo e, portanto, um mero apontamento”.

“Ou há de facto a assunção por parte de quem está no Governo que é preciso tomar medidas mais progressistas na área ambiental, fazer mudanças e assumir compromissos profundos, ou então, de facto, não estamos disponíveis para ser um penacho, para sermos um mero apontamento de uma solução governativa”, clarifica.

Instado a detalhar a lista das “exigências” para apoiar um executivo, André Silva refere “o assumir do compromisso por parte do partido que esteja no Governo que vai, de facto, alterar significativamente as suas políticas no âmbito da energia, da mobilidade de pessoas e transportes, na indústria e no setor agroalimentar”.

“É por aí que passa o combate às alterações climáticas e temos de transformar, não só em Portugal, mas na Europa, a forma como estamos a viver os nossos padrões de produção e de consumo. Teria de haver mudanças profundas nestes quatro setores. Isso é absolutamente importante e determinante”, justifica.

As metas para as próximas eleições legislativas também já estão bem definidas e o dirigente do PAN assume que são “crescer e ter um grupo parlamentar”.

“Queremos ultrapassar os constrangimentos regimentais, não alterando o regimento, mas sim adquirindo o estatuto de grupo parlamentar, que é ter pelo menos dois deputados”, revela.

Independentemente de “quem esteja no Governo” e do seu campo político, para André Silva as “matérias ambientais, de defesa do ambiente e de combate às alterações climáticas vão-se fazer com mais eficácia e com mais robustez se o PAN tiver mais força”, sendo para tal necessário “mais votos e mais representantes”.

“Cada vez mais as pessoas não se reveem nas ideologias, mas acima de tudo em causas e em medidas concretas que, de facto, ajudem a alterar o quotidiano das pessoas e do planeta e é por aí que nos vamos continuar a mover e não nos precisamos de categorizar na dicotomia esquerda/direita para combater a extrema-direita. Nós combatemos formas violentas de manifestação, sejam elas à direita, sejam à esquerda”, responde, quando questionado sobre o aumento da extrema-direita.

Sobre a ausência de categorização do partido na tradicional esquerda/direita, o deputado do PAN aproveita para “introduzir outro vetor, entre conservadores e progressistas”.

“Porque se nós temos no parlamento uma maioria de esquerda, temos também uma maioria conservadora relativamente a uma maioria progressista. Nós temos uma maioria, CDS, PSD e PCP, que impede o avanço de determinadas matérias como a eutanásia, liberdades individuais, costumes, direitos dos animais ou questões ambientais”, observa.

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