Em vésperas de competições europeias, sobretudo quando já estamos nas fases mais a eliminar, é evitável olhar para os encontros das ligas nacionais com outros focos. Exemplo? Se alguém se lesionou. Na deslocação do Barcelona a Vigo para defrontar o Celta (derrota por 2-0), Ernesto Valverde mudou quase toda a equipa mas acabou por perder o seu joker, depois de Dembelé ter sofrido uma lesão muscular ainda dentro do primeiro minuto; na viagem do Liverpool a Newcastle, Salah foi retirado de campo em maca, depois de um choque, e é dúvida para a segunda mão da meia-final da Liga dos Campeões. Ainda assim, e apesar do problema do egípicio que Klopp diz não ser grave, é de Van Dijk que se continua a falar.

Depois de ter sido eleito o Melhor Jogador do Ano da Premier League, o central holandês teve uma noite muito complicada em Camp Nou, terminando a assumir que se considerava uma pessoa feliz porque não jogar na Liga espanhola – porque dessa forma teria de defrontar pelo menos duas vezes por ano Messi. As hipóteses dos reds na prova depois do 3-0 na Catalunha são pequenas mas, na Champions como no Campeonato, a equipa promete não desistir até ao fim e foi isso que ficou bem demonstrado esta noite, com um triunfo ao cair do pano que volta a colocar a pressão no lado do Manchester City.

Com Daniel Sturridge no lugar de Firmino e Lovren em dupla com Van Dijk (Matip ficou no banco), Jürgen Klopp recusou fazer qualquer tipo de poupança e acabou por ser feliz nessa opção: depois do golo inaugural de Van Dijk (que leva seis golos e quatro assistências, números invulgares para um central) jogo aos 13′, Atsu, antigo extremo do FC Porto, empatou mas Salah, ainda dentro da primeira meia hora, recolocou o Liverpool na frente. No segundo tempo, Rondón voltou a restabelecer a igualdade mas Origi, suplente que voltou a entrar para decidir como no dérbi com o Everton, fez o 3-2 final aos 86′.

Van Dijk terminou o encontro com uma eficácia de passe de 90% entre as 92 tentativas conseguidas e a ganhar nove dos 12 duelos pelo ar que travou – os registos mais altos entre os 24 jogadores. Além disso, marcou mais um golo. No entanto, é de outro pormenor que se fala: depois de uma falta sobre Fabinho que levantou muitas dúvidas, o holandês, já na área, fez questão de dizer a Alexander-Arnold que não era ele a marcar o livre mas sim Shaquiri, que entrara poucos minutos antes. O lateral afastou-se, o esquerdino cobrou e Origi subiu mais alto, naquilo que foi um gesto de líder elogiado por todos em Inglaterra.

Com este resultado, o Liverpool passou a somar 94 pontos, mais dois à condição do que o Manchester City que joga apenas na segunda-feira em casa com o Leicester, uma pontuação que daria para ser campeão em quase todas as temporadas desde que foi criada a Premier League – e ainda com um encontro por disputar, frente ao Wolverhampton de Nuno Espírito Santo.