Família Real Britânica

Alho interdito, leite materno e comida biológica. Como funciona a dieta de um bebé real?

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O mundo continua fascinado com o bebé de Harry e Meghan Markle mas pouco mais se sabe para lá de que é um rapaz saudável. A sua alimentação, por oposição, já pode ser conhecida ao pormenor

O Príncipe George, filho de William e Kate Middleton, também terá seguido a rigorosa dieta dos membros mais pequenos da realeza.

AFP/Getty Images

A família real britânica acaba de ganhar um novo membro e, apesar de ainda não se conhecer o nome do rapaz, já se sabem muitos pormenores da vida deste bebé real. A alimentação é um deles. Como em quase tudo o que circula em torno da Casa Real Britânica, rituais e tradições não faltam na simples arte de comer e cozinhar e é por isso mesmo que na lista que se segue vai encontrar algumas curiosidades sobre a possível ementa do filho dos Duques de Sussex. Entre elas está um aparente estigma da amamentação nos meandros da família Real, a importância de propriedades reais como a de Sandringham e até a posição de Isabel II, que não aceita ter um neto vegan.

Amamentação Real: ou sim ou sopas

Por simples que possa parecer, o tema da amamentação é bem mais complicado do que aparenta e continua a estar na ordem do dia assuntos como o poder ou não amamentar em público, os benefícios ou eventuais problemas que pode causar à saúde da mãe e/ou  filho ou até mesmo o significado de um bebé recusar o leite da mãe. A família Real britânica não é imune a estas temáticas e, até há relativamente pouco tempo, havia quem fosse fiel opositor desta forma de nutrir um recém-nascido — muitos achavam ser impróprio e até perigoso.

Um artigo publicado no britânico The Guardian explica que esta resistência à amamentação teve origem há centenas de anos, numa altura em que as taxas de mortalidade infantil eram muito elevadas e a mulher era vista como sendo apenas uma reprodutora, que tinha de criar vários filhos para que a linhagem nunca ficasse em risco. Ora como a amamentação funciona, até certo grau, como método contracetivo , os médicos da altura preferiam que os bebés fosse alimentados por amas de leite (mulheres de “boas famílias” e até outras aristocratas era as melhores candidatas a esta posição, desde que tivessem um aspeto bom e saudável).

Durante o século XVIII, a comunidade médica olhava para o leite materno com imensa desconfiança, aconselhavam que fosse evitado sempre que possível e, em vez disso, sugeriam que os bebés fossem alimentados com leite animal ou água com açúcar e mel. Estas alternativas costumavam ser dadas aos pequenos via bolsa de linho, cornos, canecas de barro ou até mamilos de vaca em pickle, alternativas carregadas de germes que muitas vezes faziam os bebés adoecer.

A rainha Vitória, por exemplo, achava a amamentação algo repugnante e acreditava que “arruinava” as capacidades intelectuais das mulheres. Já a mãe da atual rainha não podia discordar mais desta opinião e foi uma das primeiras monarcas a contrariar a tradição. Amamentou Isabel II em 1926, e esta decidiu fazer o mesmo quando os seus filhos — sendo Carlos um deles — nasceram, ao contrário da princesa Margarida, que considerava a amamentação como algo de mau gosto e recusou fazê-lo com os filhos em 1960, provando que esta linha de pensamento ainda não desapareceu completamente. O que irá Meghan fazer?

Nada de alho, álcool ou especiarias

É no mesmo artigo sobre a amamentação real do The Guardian que se explica outra curiosidade histórica sobre as amas de leite e as regras que estas tinham de obedecer. Estas mulheres estavam proibidas de comer alho, isto porque o “sabor” do leite seria afetado e isso, acreditavam, prejudicava o recém-nascido. A imprensa britânica afirma ser provável que Meghan cumpra este requisito (caso amamente) porque a Rainha continua a opor-se veemente à utilização deste vegetal.

Era a mesma linha de raciocínio que servia para justificar a proibição de comer especiarias, também — eram preferidas comidas insossas e sensaboronas. Era igualmente proibido consumir bebidas alcoólicas não tanto pelo “sabor” que estas poderiam conferir ao leite mas porque foi tornando-se conhecimento comum que o álcool era prejudicial à saúde de gravidas e novas mães.

Peras e maçãs do “quintal” da avó

A propriedade real em Sandringham, nos arredores de Norfolk, é um local carregado de história e simbolismo: foi construído, modificado, demolido e reconstruido uma série de vezes desde a sua fundação, em 1771. É onde a família real costuma celebrar a passagem de ano e tem fama de ser um ótimo local para caçar. Era a propriedade favorita do rei Jorge VI, o pai de Isabel II (é por causa disso que a Rainha passa lá todos os aniversários da sua morte) e, finalmente, tem frondosos pomares. Ora é precisamente este último detalhe que mais interessa, neste caso. Em entrevista ao programa norte-americano Today, o antigo chef real Darren McGrady revelou que as peras e maçãs desta propriedade fizeram parte das primeiras refeições dos príncipes William e Harry e dos príncipes que os antecederam. ”

As primeiras refeições [de William e Harry] eram maçãs e peras ao cozinhadas ao vapor, vindas da propriedade real de Sandringham”, revelou o cozinheiro antes de explicar que estas, depois de cozinhadas, eram trituradas (à mão!) duas vezes para garantir que o prato chegava ao seu destinatário suave e sem grumos. Escusado será dizer que este novo bebé real ira provar a mesma iguaria, já que é difícil quebrar tradições reais, mesmo que elas tenham a ver com fruta cozinhada e triturada.

A propriedade de Sandringham, de onde vêm as peras e maçãs que os bebés da realeza costumam comer

Comida biológica e muita gente para a preparar

Foi Darren McGrady, o mesmo antigo chef real, que revelou um pouco mais sobre como funcionam as cozinhas reais, especialmente a parte das ditas que está mais ligada a comida dos nobres mais pequenos. A equipa de cozinha da Rainha é composta por mais de 20 pessoas e dessas, pelo menos duas são responsáveis pela comida dos bebés — “Um chef na cozinha do palácio ficaria encarregue de triturar a galinha, o borrego ou a carne de vaca enquanto outro ficava responsável por cozinhar vegetais como ervilhas, cenouras e até couve-flor.”

No meio de tudo isto é curioso perceber também que, tradicionalmente, as amas dos bebés da realeza costumam ter uma forte palavra a dizer naquilo que eles comem. Há quem diga que podem influenciar a alimentação da criança ainda mais que os pais.  McGrady explica que as amas reais “não serve apenas para educar as cabeças” dos mais pequenos mas também os seus palatos. São elas que normalmente controlam os menus (definidos à semana) e garantem que os mais pequenos seguem uma dieta rigorosa. Ao mesmo tempo que também os introduzem “à comida dos adultos”.

Seja quem for a cozinhar ou a definir o que cozinhar, a verdade é que há uma certeza inabalável: só se comem produtos biológicos e sazonais. Peras, maçãs, frango, couves, ervilhas e tudo mais tem de ser cozinhado na estação correta — a Rainha já chegou a recusar-se a comer morangos que lhe foram servidos em janeiro — e de origem biológica, sem químicos ou qualquer conservante, e isto é assim por culpa do príncipe Carlos, que desde sempre foi um feroz defensor e apoiante da agricultura biológica.

O “Royal Chef” Darren McGrady trabalhou para a família real britânica durante 15 anos e preparou muitas refeições para Harry e William quando estes eram miúdos

Vegan? A Rainha não deixa

Meghan Markle já é conhecida por estar mais que predisposta a quebrar tradições e certezas antigas e isso não é surpresa para ninguém. Um dos casos mais recentes que comprovam esta “veia rebelde” é a alegada vontade da Duquesa de Sussex de criar o filho de acordo com uma dieta vegan. A imprensa britânica já fala disto há algum tempo e comprovam-no citando fontes próximas dos Duques.

Acontece que da mesma forma que se soube desta vontade, conheceu-se também o ultraje de Isabel II, que alegadamente terá proibido tal decisão. A Rainha é grande adepta de caça — uma das atividades mais populares entre a realeza — e isso choca de frente com uma dieta feita unicamente à base de vegetais.  Uma fonte próxima da Casa Real contou à revista Woman’s Day que este tema criou “discussões tensas” entre Meghan e Harry, “que não quer aborrecer a avó”. O irmão do futuro rei da Inglaterra  está à espera que o nascimento do bebé acalme as “emoções exacerbadas da gravidez” pelas quais Meghan estaria a passar quando a discussão começou e ceda à vontade real.

A mesma fonte revelou ainda o seguinte pensamento: “A Meghan continua a forçar os limites da realeza e isso não está a ser muito bem recebido, principalmente pela Rainha. Ela parece ter em pouca consideração as tradições da realeza mas criar a criança como vegan simplesmente não será tolerado pela matriarca.”

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