A receita gerada pelos impostos aplicados ao setor da caça baixou pela primeira vez nos últimos cinco anos, contabiliza o Jornal de Notícias. Na época 2018/2019, que está a um mês de terminar por completo, o Estado conseguiu menos 2% de receitas do que havia encaixado na época passada — contrariando um aumento de 2,5% de ano para ano que vigorava desde 2013 com os impostos. E há menos 30 mil caçadores do que há cinco anos.

Questionadas pelo Jornal de Notícias, as associações de caçadores dizem que a culpa é dos custos demasiado altos dos impostos, que afugentam os mais jovens, e da burocracia para a emissão de documentos que autorizam a atividade. “Hoje em dia ainda se perdem quatro dias de trabalho para tratar da carta de caçador e de uso e porte de arma”, explica Vítor Palmilha, da Federação de Caçadores do Algarve, ao JN. E acrescenta: “Quando vários documentos podem chegar a 500 euros, é fácil de se perceber a queda no número de caçadores”.

Segundo números apresentados ao JN pelo Ministério da Agricultura, o Estado recolheu 5,8 milhões de euros em licenças emitidas para a atual época — que já terminou para a caça pequena, mas não para a caça grossa. São menos 100 mil euros que na época 2017/2018. Além disso, o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas também recolheu menos 100 mil euros em taxas do que na época passada — foram 4,4 milhões de euros em 2018/2019.

Para João Carvalho, secretário-geral da Associação Nacional de Proprietários Rurais, o motivo é a crise económica. “A caça ainda é das atividades mais transversais, desde as pessoas com menos posses às com mais posses”, começa por dizer ao JN. E prossegue: “Os números não são reflexo de desinteresse pela caça, mas o resultado da crise económica que afetou fortemente, e ainda afeta, quer caçadores, quer zonas de caça”.

Na verdade, acrescenta, “tem havido uma retoma do setor”. “Só que os custos acrescidos, que vão desde a renovação de uso e porte de arma até taxas de renovação têm sido um desincentivo”, termina.