Millennium Estoril Open

Tsitsipas cumpriu no Estoril um sonho com nove anos (e pediu ajuda para encontrar uma casa perto da de Cristiano Ronaldo)

Stefanos Tsitsipas venceu o Millennium Estoril Open – frente a um tenista que começou por ser eliminado na qualificação –, e admitiu ter cumprido um sonho com nove anos, que nasceu ao ver Federer.

Pablo Cuevas e Stefanos Tsitsipas, os finalistas da edição de 2019 do Millennium Estoril Open

Millennium Estoril Open

Em 2008 a crise financeira rebentava à escala mundial e na Grécia Apostolos Tsitsipas conjugava três empregos para alimentar o sonho do filho. Em casa, Stefanos Tsitsipas assistia à vitória de Roger Federer no Estoril Open – ainda disputado no Jamor – e sonhava em seguir uma carreira como tenista. E se, existir um jovem tenista que tem Roger Federer como ídolo é habitual, o que não é tão comum é que esse jovem tenha como um dos sonhos levantar o troféu da Vista Alegre atribuído no torneio português, como conseguiu concretizar o helénico nove anos depois, ao bater um tenista que por pouco não regressou a casa antes mesmo do começo do quadro principal do torneio.

O agora número 10 do ranking mundial bateu na tarde de domingo o uruguaio Pablo Cuevas – 13 anos mais velho – na final do Millennium Estoril Open pelos parciais de 6-3 e 7-6 (4), isto uma semana depois de Pablo Cuevas ter sido eliminado na última ronda de qualificação e de ter sido repescado para o torneio apenas devido a uma desistência de um dos jogadores. O diretor do torneio contou até que se cruzou com o tenista no balneário, que chegou “muito irritado e a atirar os sacos”, longe de imaginar o que lhe iria acontecer durante a semana.

Mas, voltando ao sonho: “Lembro-me de ver o Federer em 2008 e do lindo troféu que ele estava a segurar. Para mim é um dos melhores ATPs 250 em terra batida e lembro-me da qualidade de ténis jogado entre o Roger e o NicolayDavydenko”, recorda Stefanos Tsitsipas no rescaldo da vitória no Clube Ténis do Estoril.  O grego, tal como Federer, já disputou o Estoril Open por duas vezes e, depois da derrota frente a João Sousa o ano passado, conseguiu levar o troféu, batendo outro dos seus ídolos do circuito, como também admitiu no fim.

O grego, que contou com o apoio de Andreas Samaris – médio do Benfica – no jogo da final e com uma palavra de incentivo de Fernando Santos, que foi selecionador da Grécia, diz sentir-se em casa a jogar ténis em Portugal. “Sinto-me bem a jogar ténis em Portugal. Gostei das condições o ano passado, apesar da minha derrota e as condições aqui são parecidas com o clube onde cresci como jogador na Grécia. E esta é a maior razão pela qual me senti muito confortável aqui”, esclarece o tenista e agora ele próprio um ídolo no país natal.

Quem permitiu a Stefanos Tsitsipas conquistar o primeiro torneio do circuito ATP em terra batida – de um total de três–-, foi o uruguaio Pablo Cuevas que, apesar da derrota, admite que “esta é uma semana especial”. “Não é todos os dias que se perde na qualificação e se atinge a final”, disse Cuevas, antes de deixar elogios às bancadas cheias do Estoril Open. O tenista que foi autor do ponto do torneio – e quem sabe um dos pontos do ano – considera Tsitsipas “um grande jogador e um grande campeão”, antes de frisar novamente que esta “foi uma boa semana”.

Tanto Stefanos Tsitsipas como Pablo Cuevas trouxeram ao Estoril as respetivas famílias e deixaram rasgados elogios às condições do torneio. Tsitsipas, que nos tempos livres alimenta um canal de YouTube com 145 mil subscritores, mostrou-se maravilhado com as imagens que captou da praia junto ao hotel através do drone, antes de deixar no ar a dúvida sobre se “era possível levantar o drone”. O tenista helénico foi uma das figuras do torneio a participar numa ação promocional, tendo trocado algumas bolas na Boca do Inferno, em Cascais.

(Créditos: Millennium Estoril Open)

Quem ‘cavalgou’ os elogios dos tenistas foi o diretor do torneio, João Zilhão, que na tradicional conferência de imprensa de balanço desta edição disse que “o nível de jogadores e a promoção feita ao torneio foi feito de forma ainda melhor e ter o João Sousa como campeão em título” ajudou a elevar o nível do torneio, que este ano contou com 40 mil espectadores – mais oito mil do que no ano passado.

Mais descansado por ter contado com a grande maioria dos jogadores contratados – falharam apenas Kevin Anderson e Fábio Fognini –, que ajudaram a esgotar várias sessões do evento, João Zilhão não sonha com grandes alterações na estrutura do evento. “Há coisas planeadas para crescer, mas ter bancadas cheias é muito bom e eu sou da opinião que mais vale ter um estádio com três mil pessoas sempre cheio do que um estádio com seis mil pessoas a meio gás“, diz o diretor do evento.

João Zilhão mostrou-se satisfeito com a vitória de Tsitsipas, “uma grande aposta deste torneio”, que diz ser “um jogador com muito carisma e um potencial futuro número 1 do mundo”, algo que nas palavras do diretor do evento “só vem engrandecer o torneio”. Para o ano, “o livro de cheques vai ter que aparecer” se o Estoril Open quiser contar com o detentor do troféu, admitiu o próprio João Zilhão.

Tsitsipas parece estar convencido e até pediu em jeito de brincadeira que o ajudem a “procurar uma boa casa, perto da do Cristiano Ronaldo”, assim existam cheques para o trazer regularmente ao Estoril.

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