Dacia

Duster tem novos motores, mas aposta no GPL

O SUV da Dacia é um sucesso, sobretudo agora que passou a usufruir do novo motor 1.3 TCe a gasolina. Porém, a marca continua a apostar também nos motores a GPL, melhores nos custos e nas emissões.

A Dacia, a marca romena do Grupo Renault, continua a cativar um crescente número de clientes, especialmente através do Duster, o seu SUV do segmento C. A receita do popular modelo é uma estética atraente e com óbvia inspiração nos 4×4 destinados à aventura, um carácter prático e um preço particularmente acessível.

Depois de se fazer representar no nosso mercado com uma versão 4×4 mais cara e uma 4×2 especial, feita de propósito para o mercado português com maior capacidade de carga para lhe elevar artificialmente o peso bruto, pois só assim podia ser considerada Classe 1 nas portagens (com Via Verde), o Duster aproveitou a alteração da regulamentação das portagens nacionais para se reintroduzir no mercado nacional. E em bom momento, pois isso coincidiu com a introdução no novo motor 1.3 TCe a gasolina, o mesmo que já é utilizado pela Renault e pela Mercedes, que o apelida de 1.4.

Continuando a ser considerado Classe 2 nas versões com tracção integral, o Duster oferece agora todas as motorizações nos modelos com apenas tracção à frente, que sempre foram as preferidas dos compradores, não só por serem mais baratas, como por revelarem um menor consumo. Daí que o SUV produzido na Roménia, em vez de ser oferecido aos condutores portugueses apenas com um motor, passe a estar disponível com motores a gasolina de 115 cv (1.6 atmosférico), de 130 cv e 150 cv, com o novo 1.3 TCe, além dos turbodiesel 1.5 dCi de 95 cv e 115 cv, havendo a possibilidade de recorrer à caixa automática de dupla embraiagem em algumas das versões.

Como o Duster vende maioritariamente motorizações a gasolina, que representam 69% da gama (com as unidades a GPL a atingir 27%), é natural que o novo motor 1.3 TCe se torne o mais procurado. Tanto mais que os seus preços são dos mais acessíveis do segmento, para este nível de potência. Considerando a versão 130 TCe com apenas tracção às rodas dianteiras que, como a denominação indica, possui 130 cv, o Duster está disponível na versão Essential, a mais acessível, por 15.600€, valor muito interessante para um veículo relativamente espaçoso, no habitáculo e mala, para ser também confortável, dentro e fora de estrada, onde apresenta boas características para digerir covas e buracos.

A versão Comfort é a segunda mais acessível (17.350€), seguida da Prestige (19.230€, sendo ainda assim a que tem mais procura, com 79%), com o Duster Adventure a reclamar um custo de 19.530€.

Gasolina vende mais, mas GPL é a aposta

O GPL, ou gás de petróleo liquefeito, é um produto derivado do petróleo que apresenta inúmeras vantagens face à gasolina, podendo ser queimado num motor que também consuma este combustível ainda que adaptado, e por isso denominado bifuel, ao poder processar ambos. Entre os trunfos, está o preço, com o GPL a ser comercializado por somente 0,657€, contra 1,529€ da gasolina e 1,389€ do gasóleo. É certo que um motor bifuel tende a consumir um pouco mais quando trabalha a GPL, comparado com gasolina, mas ainda assim a vantagem vai claramente para o GPL. E não é só em custos, pois este gás é igualmente menos poluente.

Outro dos trunfos deste tipo de combustível é a existência de 370 postos de abastecimento – ao contrário das quase inexistentes bombas de Gás Natural, combustível ainda é mais vantajoso, mas lamentavelmente sem rede de distribuição –, o que lhe permite ser uma alternativa para muitos utilizadores, particulares e empresas. Como se não bastasse, o GPL é ainda rápido de abastecer, quase tanto como a gasolina, combustível a que pode recorrer caso não exista GPL nas proximidades.

A Dacia tem uma certa paixão por este gás, tanto que o oferece em toda a gama (é mesmo a única marca que o faz em Portugal), sendo, como seria de esperar, quem mais vende modelos bifuel. Porém, se a marca romena tem um fraquinho pelo GPL, mais precisamente pelas suas vantagens, já o Estado não partilha essa devoção. Primeiro, estabelece uns incentivos fiscais que passam pela redução de 40% no ISV, mas por falta de formação técnica do legislador, estas ajudas estão definidas como exclusivas para veículos que utilizem apenas GPL; o que é uma impossibilidade técnica, dado que os motores bifuel arrancam sempre a gasolina, podendo passar segundos depois ao gás.

Como se esta falha – será distração? – não bastasse, para efeitos de cálculo do imposto sobre o CO2, o legislador considera exclusivamente os valores relativos à gasolina. Outro erro, pois os motores bifuel podem efectivamente queimar os dois combustíveis, sendo certo que ninguém no seu perfeito juízo comprará um veículo que pode queimar gasolina e gás, para depois circular utilizando apenas aquele que lhe sai mais caro. Ainda assim, as vantagens são suficientes para aliciar um generoso número de clientes.

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